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O veículo de notícias The Hollywood Reporter divulgou com exclusividade que Florence Pugh, Rami Malek e Benny Safdie entraram para o elenco de Oppenheimer, cinebiografia de J. Robert Oppenheimer, físico nuclear que conduziu o Projeto Manhattan, programa de pesquisa e desenvolvimento que produziu as primeiras bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial, no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. O roteiro do longa, escrito também pelo diretor do filme Christopher Nolan, será baseado no livro vencedor do prêmio Pulitzer “Prometeu Americano: O Triunfo e a Tragédia de J. Robert Oppenheimer” (tradução livre) dos autores Kai Bird e Martin J. Sherwin.

Florence Pugh irá interpretar Jean Tatlock, que começou a se encontrar com Oppenheimer em 1936, quando ela era estudante de pós-graduação em Stanford e Oppenheimer era professor de física na Universidade da Califórnia, Berkeley. Eles se conheceram através da senhoria de Oppenheimer, Mary Ellen Washburn, que também era membro do Partido Comunista. O casal começou a namorar e teve um relacionamento intenso; ele a pediu em casamento duas vezes, mas ela recusou. Ela é creditada por introduzir Oppenheimer à política radical durante o final da década de 1930, e também a pessoas envolvidas ou simpatizantes do Partido Comunista ou grupos relacionados, como Rudy Lambert e Thomas Addis. Eles continuaram a se ver mesmo depois que Oppenheimer começou a se envolver com Kitty Harrison, com quem se casou. Oppenheimer e Tatlock passaram o Ano Novo juntos em 1941.

Embora alguns historiadores acreditem que Oppenheimer teve um caso extraconjugal com Tatlock enquanto ele trabalhava no Projeto Manhattan, outros afirmam que ele se encontrou com Tatlock apenas uma vez depois que ele foi escolhido para liderar o Laboratório de Los Alamos em meados de junho de 1943. Na passagem de Oppenheimer em Berkeley para recrutar David Hawkins como assistente administrativo no projeto, ele e Jean foram a um restaurante mexicano e passaram a noite juntos no apartamento de Tatlock em São Francisco. Durante todo o tempo, havia agentes do Exército dos EUA os vigiando do lado de fora. Naquela reunião, Jean disse a Oppenheimer que ainda o amava e queria estar com ele. Ele nunca mais viu ela novamente.

Apesar de seu relacionamento com Oppenheimer, no livro de memórias de Edith Arnstein Jenkins, ela cita uma conversa com Mason Robertson, um grande amigo de Jean, na qual ele afirma que Tatlock lhe disse que ela era lésbica. É plausível que Tatlock tenha tido um relacionamento com Mary Ellen Washburn. Como psicanalista na década de 1940, ela via sua homossexualidade como uma condição patológica a ser superada, o que pode ter levado ao seu eventual suicídio. Ela escreveu para um amigo que “houve um período em que eu pensei que era homossexual. Eu ainda sou, de certa forma, forçada a acreditar nisso, mas realmente, logicamente, tenho certeza que eu não posso ser por causa da minha não-masculinidade.”

Tatlock sofria de depressão clínica e estava sendo tratada no Mount Zion. Por volta das 13 horas do dia 5 de janeiro de 1944, seu pai, John Tatlock, chegou ao seu apartamento. Quando não houve resposta ao toque da campainha, ele entrou por uma janela e a encontrou morta, deitada em uma pilha de travesseiros, com a cabeça submersa na banheira parcialmente cheia. Havia uma nota de suicídio não assinada, que dizia:

“Eu estou enojada com tudo… Para aqueles que me amaram e me ajudaram, todo o amor e coragem. Eu queria viver e ter algo a oferecer e fiquei paralisada de alguma forma. Tentei muito entender e não consegui… Acho que eu seria um fardo toda a minha vida—ao menos eu pude tirar o peso de uma alma paralisada de um mundo de luta.”

John moveu o corpo de Jean até o sofá, vasculhou o apartamento para encontrar a correspondência e queimou-as na lareira junto com algumas fotografias. Ele passou horas no apartamento antes de ligar para a funerária, que entrou em contato com a polícia. A polícia então chegou às 17h30, acompanhada por um médico-legista. No momento de sua morte, ela estava sob vigilância do FBI, e seu telefone estava grampeado, então uma das primeiras pessoas informadas sobre isso foi o diretor do FBI, J. Edgar Hoover, através de um link de teletipo. A notícia de sua morte foi noticiada nos jornais da Bay Area.

Washburn telegrafou Charlotte Serber em Los Alamos. Como bibliotecária, ela teve acesso à Área Técnica e contou ao marido, o físico Robert Serber, que então foi informar Oppenheimer. Quando chegou ao seu escritório, descobriu que Oppenheimer já sabia. O chefe de segurança de Los Alamos, Capitão Peer de Silva, recebeu a notícia através do grampo telefônico e da Inteligência do Exército, e transmitiu para Oppenheimer. Tatlock havia apresentado Oppenheimer às poesias de John Donne, e acredita-se que ele nomeou o primeiro teste de uma arma nuclear “Trinity” em referência a um dos poemas de Donne, como uma homenagem a ela. Em 1962, Leslie Groves escreveu a Oppenheimer sobre a origem do nome, e obteve a seguinte resposta:

“Eu sugeri… O motivo de eu ter escolhido o nome não está claro, mas sei quais pensamentos estavam em minha mente. Há um poema de John Donne, escrito pouco antes de sua morte, que eu conheço e amo. Dele uma citação:

“Como oeste e leste
Em todos os mapas planos – e eu sou um – são um,
Assim, a morte toca a Ressurreição.”

Em outro poema devocional mais conhecido, Donne começa

“Golpeie meu coração, Deus Trino”.

Houve, algumas vezes, especulações de historiadores e de seu irmão sobre se a morte de Jean foi realmente suicídio, já que havia algumas circunstâncias suspeitas.

Em fevereiro de 1944, um inquérito formal retornou um veredito de “Suicídio, motivo desconhecido”. No relatório do legista, ele descobriu que Jean havia comido uma refeição completa pouco antes de sua morte. Ela tomou alguns barbitúricos, mas não uma dose fatal. Traços de hidrato de cloral foram encontrados, uma droga comumente associada a um “Mickey Finn”, bebida alcoólica adulterada com uma substância concebida para incapacitar a pessoa que a bebe, mas não havia álcool em seu sangue, apesar de danos em seu pâncreas que indicavam que ela bebia muito. Como psiquiatra que trabalhava em um hospital, ela tinha acesso a sedativos como hidrato de cloral. O legista descobriu que ela morreu por volta das 16h30 do dia 4 de janeiro. A causa da morte foi registrada como “edema agudo nos pulmões com congestão pulmonar” – afogamento na banheira. Parece provável que ela se ajoelhou sobre a banheira, tomou hidrato de cloral e mergulhou a cabeça na água.

O filme, com sua história meio comercial sobre o desenvolvimento da bomba atômica, é um risco artístico e financeiro para Christopher e a Universal Studios, carregando um orçamento de USD 100 milhões. Nolan geralmente tem um senso aguçado do que o público quer, transformando thrillers sinuosos como “A Origem” em sucessos de bilheteria e marcando pontos com críticos e público com outro da Segunda Guerra Mundial, “Dunkirk”, estrelado por Fionn Whitehead. Harry Styles, Barry Keoghan, Cillian Murphy, Tom Hardy e mais.

Cillian Murphy irá estrelar como J. Robert Oppenheimer, Emily Blunt como Kitty Oppenheimer, Robert Downey Jr. como Lewis Strauss, Matt Damon como Leslie Groves Jr. e Benny Safdie como Edward Teller.

A Universal Pictures distribuirá “Oppenheimer” mundialmente, mas, até o momento, apenas a data de lançamento nos cinemas norte-americanos foi divulgada (21 de julho de 2023).

Fonte: The Hollywood Reporter, Variety e Wikipédia.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



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