Seja bem-vindo ao Florence Pugh Brasil, sua primeira e mais completa fonte de notícias sobre a atriz Florence Pugh no Brasil e no mundo. Aqui você encontrará informações sempre atualizadas sobre sua carreira, projetos e muito mais, além de entrevistas traduzidas e uma galeria repleta de fotos. Navegue no menu acima e divirta-se com todo o nosso conteúdo. O Florence Pugh Brasil é um site feito por fãs que não é afiliado e/ou mantém qualquer espécie de vínculo com a Florence, sua família, seus amigos, agentes ou alguém relacionado a seus projetos. Esse site foi criado com o intuito de informar e entreter pessoas que, como nós, admiram o seu trabalho e suas atitudes. O FPBR não tem nenhuma intenção de lucro. Caso pegue alguma tradução ou notícia exclusiva e reproduza em seu site, nos dê os devidos créditos. Esperamos que goste do contéudo e volte sempre!
29.10.20 | Salvo em: Destaques | Entrevistas | Filmes | Galeria | Photoshoots | Scans | Viúva Negra | Autor: FPBR

Florence Pugh e Scarlett Johansson foram entrevistadas em conjunto para a edição de inverno da revista Marie Claire. Realizada por Mitchell S. Jackson, a entrevista aconteceu por uma reunião no Zoom e abordou o filme “Viúva Negra”, as diversas decisões das atrizes ao longo da carreira, pandemia, quarentena e mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica (realizada por Quentin Jones), um novo still de produção divulgado com exclusividade pela Marie Claire e os scans da revista:

Mulheres Extraordinárias: Scarlett Johansson & Florence Pugh
Com o adiamento de seu filme épico de super-heroínas, as atrizes falam sobre as reviravoltas na trama da vida real que 2020 está trazendo para elas.


CENA I: A Ligação

Era um dia de semana (ou fim de semana, porque o que é o tempo hoje em dia?), lá estava Scarlett Johansson, tomando uma margarita, de gole em gole.

Tudo bem até então, né?

Mas, infelizmente, como a maioria das coisas em 2020, tudo só piorou a partir daí.

Uma ligação interrompeu seu coquetel. O assunto: A estreia de “Viúva Negra”, o certeiro sucesso de bilheteria estrelando Scarlett e a magnética novata da Marvel, Florence Pugh e dirigido por Cate Shortland — três mulheres poderosas colaborando em um filme sobre mulheres poderosas, afirmando sua ascensão — estava sendo adiada. Foi uma notícia desanimadora, Scarlett recorda, embora não fosse uma surpresa.

Outra margarita, você disse? Sim, por favor, e obrigada.

Eu estive conversando com Kevin Feige” — O presidente da Marvel Studios — “sobre isso, e com nossos colegas produtores; estávamos tentando entender qual era o cenário,” diz Scarlett, 36 anos, com um pouco de resignação agora em sua inconfundível voz, mas um pouco de pragmatismo também. “Estamos todos ansiosos para lançar o filme, mas, acima de qualquer coisa, todos querem que a experiência passe segurança, que as pessoas possam realmente se sentir confiantes em sentar-se juntas em um cinema fechado.

Estamos em uma teleconferência, porque é isso que você faz nos dias de hoje — nada de almoços. Isso ou usar o Zoom, o que nós fizemos há algumas semanas. Florence, 24 anos, está conosco na linha. Também resignada, também pragmática. Ela tinha acabado de voar de Londres de volta para Los Angeles, onde ela mora, quando recebeu a ligação.

Acho que, provavelmente, eu tinha um pressentimento,” ela diz. “Me pareceu que toda a diversão do verão, e o fato de todo mundo estar na rua e de finalmente terem regras mais brandas, cobrou seu preço, obviamente, por causa do vírus. Estou triste que as pessoas não consigam assistir ao filme por mais meio ano, mas eu não fiquei incrivelmente chateada porque é importante cuidar das pessoas agora.

O que elas estão dizendo é que, o adiamento de um filme de super-heróis não é o apocalipse. Nem neste ano terrível e nem em qualquer outro. Mas não é uma droga? Quem não gostaria de estar sentado em uma sala escura de cinema agora, munido de um balde de pipoca com sabor artificial de manteiga, um refrigerante grande, e se afundando em uma poltrona enquanto uma ação da Marvel de tirar o fôlego se desenrola na tela?

E, entre todos os filmes, esse em especial — um com personagens femininas fortes, atrizes fortes, uma diretora forte. Um filme que é divertido e também importante.

Então, o que acontece agora?

CENA II: O Filme!

Nós conversamos pela primeira vez através de telas de computadores. Florence, depois de muitos meses presa em casa por causa da COVID-19, tinha viajado para Londres e participou da chamada pelo Zoom de seu escritório, uma sala com luz escassa, artes emolduradas penduradas no alto das paredes e caixas abertas de um teclado e tripé da Casio — confira seu canal no YouTube para suas performances de violão-acústico como Flossie Rose — empoleiradas em um armário.

Scarlett se atrasou alguns minutos porque teve que buscar sua filha em um acampamento, que teve as atividades diárias canceladas por conta da chuva, e se juntou à ligação de sua casa em Nova York. Era noite em Londres e Florence, que usava uma camiseta na qual se lia “Amor” e vários colares finos, havia se servido de uma generosa taça de vinho tinto.

Quando Scarlett apareceu na ligação, Florence ganiu, “Oh meu Deus, aí está ela!

Scarlett, vestida em um figurino atlético-casual e de cara limpa, sorriu de volta. E, por alguns minutos, as duas estrelas — uma das quais cujo salário de US$56 milhões no ano passado a tornaram a atriz mais bem-paga do mundo — pareciam não mais do que duas boas amigas colocando o papo em dia. Elas brincaram entre si sobre suas escolhas de ambientes para a reunião no Zoom. Scarlett escolheu seu quarto e teve como plano de fundo uma cabeceira de camurça acolchoada e papel de parede estampado com pássaros e folhas.

Eu gosto de mudar. Deixar as pessoas na dúvida. Fazer parecer que fui a algum lugar,” diz ela. “Quando, na verdade, eu não fui a lugar nenhum, obviamente.

Quanto ao filme que nós não deveremos assistir até o dia 7 de maio de 2021, no mínimo, elas entraram no tópico bem rápido. Elas se iluminaram, conversando sobre o filme, relembrando a labuta e o trabalho. Sim, o trabalho árduo. Pergunte a elas: Essas coisas de super-herói é basicamente luz-câmera-ação e premières repletas de flashes… só que não.

Em uma cena em particular, nossas heroínas — Natasha Romanoff (Scarlett) e Yelena Belova (Florence) — correm em disparada por um terraço em Budapeste. Era para ser inverno. A tomada exige que elas pulem da lateral de um prédio com um helicóptero zunindo acima de suas cabeças.

Parece espetacular.

Mas o fato foi que era um dia de verão, no qual parecia que um deus da Marvel tinha empurrado a Terra meio caminho para mais perto do sol.

A realidade era que o que foi no máximo alguns segundos de alta ação cinematográfica, exigiu horas no topo daquele prédio e vestir-se com a antítese de um material apropriado para o clima, uma jaqueta de couro e botas de couro — e no caso de Scarlett, uma peruca e um chapéu de pele.

A verdade corpórea é que ambas as estrelas usaram arreios de segurança tão desconfortáveis quanto espartilhos vitorianos e lutaram com pequenas almofadas de gel apropriadas para esse tipo de cena (usadas por baixo dos figurinos para amortecer as quedas), que mantinham o suor escorrendo de seus quadris até quase os tornozelos.

E como se as filmagens do dia não fossem castigo suficiente do processo de produção do filme, sua diretora, Cate, entrou no set usando um vestido de verão, um chapéu de aba e tênis Stan Smith, deu uma olhada em suas estrelas suando — e assando — e provocou, “Oh, o dia não está adorável hoje?

É uma boa anedota para se arrancar gargalhadas — três mulheres desempenhando seus papéis, duas derretendo no calor enquanto uma faz piada da situação — o tipo de história que você conta no Jimmy Fallon. (“E essas almofadinhas que temos que vestir por baixo de nossos figurinos viviam escorregando!”) Mas a verdade é que esse é o tipo de cena da vida real que ainda não vemos com a frequência necessária.

Eu não quero suavizar nada,” disse Scarlett, o tom de brincadeira deixando sua voz, seus olhos apontados para o seu teto, “porque é um desafio, em uma indústria dominada por homens, contar a história de uma mulher da perspectiva de uma diretora e focar no coração de algo que é inerentemente feminino.

Haverá grandes expectativas de bilheteria para “Viúva Negra”, com ou sem COVID; não nos esqueçamos de que “Vingadores: Ultimato”, o último filme da Marvel no qual Scarlett apareceu, faturou $2.79 bilhões de dólares de bilheteria, tornando-se assim o filme mais rentável de todos os tempos — sem falar na importância de se fazer algo que inspire e empodere meninas e mulheres. E é bem possível que ninguém saiba tão bem como é lidar com expectativas elevadas quanto a estrela que deu início ao Universo Cinematográfico da Marvel.

É muito difícil ser o número um da folha de programação em sua própria franquia,” diz Robert Downey Jr. “É um teste severo. Mas há algo sobre esses personagens que faz com que você esteja à altura da tarefa em mãos, e se há alguém que o resto de nós não teve a mínima dúvida desde o começo sobre ser ou não capaz de carregar facilmente o manto sozinho(a), fora desse conglomerado, é a Scarlett.

CENA III: Escolhas

No tempo presente, Scarlett é ponderada e cuidadosa na escolha de seus papéis. E essas escolhas tem rendido performances dinâmicas: a complicada Nicole Barber em “História de um Casamento”. Mulheres firmes e inabaláveis como Rosie em “Jojo Rabbit”. Até mesmo a romântica Barbara em “Como Não Perder Essa Mulher”. O que ela está buscando nos dias de hoje é o ímpeto que sente quando pode fazer algo que nunca havia feito antes.

Ela nem sempre agiu assim. Então aconteceu a dádiva de interpretar Catherine, uma garota encontrando seu lugar no mundo como uma mulher, em uma remontagem da Broadway em 2010 da peça de Arthur Miller, “A View From the Bridge”. “Eu consegui realmente me fortalecer,” diz ela. “Eu consegui criar músculos, como uma atriz [figurativamente falando], que eu não tinha tido realmente a oportunidade de exercitar antes. Foi totalmente revigorante. Eu pensei, sabe, nunca mais vou voltar a pensar e agir como antes. Eu não vou retroceder. Eu tenho que continuar aspirando a alcançar esse sentimento.” Scarlett ganhou um Prêmio Tony por sua performance.

O ano seguinte trouxe a Viúva Negra, um papel que ajudou a fazer dela a atriz mais rentável de todos os tempos (estimados $14.4 bilhões de dólares) e deu a ela o poder de desafiar os limites do que uma mulher pode ser nas telas. “Eu procuro por mulheres com as quais eu sinto que posso me identificar em algum nível, pelas quais eu tenha empatia. Isso é um pouco complicado, obviamente, porque você pode ter empatia pelas pessoas de diferentes maneiras e por diferentes motivos. Mas se eu puder ter empatia por uma personagem, não importa quais sejam os seus valores morais, então isso é importante para mim,” diz ela.

Florence compartilha dessa mentalidade. “Semelhante à Scarlett, para mim sempre foi, meio que, a prioridade número um encontrar mulheres que sejam totalmente fascinantes e poderosas às suas próprias maneiras,” diz ela. “Eu quero de verdade reconhecer as mulheres que eu interpreto; esteja eu reconhecendo a minha mãe nelas, ou a minha avó, ou a minha irmã. Eu quero interpretar personagens complexas e confusas.

As escolhas certeiras que Florence fez até aqui incluem Cordelia, a filha do Rei Lear de Anthony Hopkins, em uma adaptação cinematográfica de 2018 e uma estudante espetacularmente traumatizada no terror de sucesso do último verão, “Midsommar”. Seu papel como a malcriada irmã mais nova Amy, em “Adoráveis Mulheres”, lhe rendeu mais atenção do público e da mídia — e uma indicação ao Oscar.

Viúva Negra” tem o potencial de transformá-la de uma atriz aclamada a uma estrela global.

Em 2021.

CENA IV: Quarentena

(…)

Quando Florence fez seu primeiro voo durante a pandemia, ela chegou ao LAX com duas horas de antecedência e em sua perambulação, ela contemplou paredes e outdoors despidos de anúncios, lojas e cafés fechados e lacrados com tábuas, e todo mundo se movia lentamente, mantendo largas distâncias um dos outros. “Foi um pouco parecido com o começo de “28 Days Later”, ou “The Walking Dead”, quando ele [Rick Grimes] estava saindo do hospital,” diz Florence. “Isso me assustou muito.

(…)

Com a facilidade que essas duas solidarizam uma com a outra, você pensaria que elas construíram essa empatia mútua ao longo da história. Na verdade, a irmandade delas começou durante os ensaios, quando Florence chegou cheia de gás e dedicação com apenas três horas de sono e exausta da viagem a trabalho. As circunstâncias não eram as melhores para uma apresentação, embora fosse ser assustador em quaisquer circunstâncias.

Florence estava empolgada, nervosa e exausta.

Você parecia muito segura de si, curiosa e disposta”, Scarlett diz a Florence. “E você estava muito presente no momento”.

Estar presente no dia em que elas se conheceram, significou fazer exercícios de confiança. Imagine elas — ambas indicadas ao Oscar 2020 (Scarlett nas categorias Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante por “História de um Casamento” e “Jojo Rabbit”, e Florence na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por “Adoráveis Mulheres”) — caindo nos braços uma da outra. Imagine elas se revezando em guiar uma à outra com os olhos vendados por uma série de obstáculos em uma sala de escritório. Imagine elas ensinando uma a outra a tecer uma cama de gato.

Acho que talvez o cansaço tenha contribuído para que eu não estivesse tão autoconsciente e, eu suponho, me permitido a começar a tirar sarro da Scarlett desde o primeiro dia, o que foi ótimo”, diz Florence. “E então, daquele ponto em diante, nós meio que começamos a fazer isso uma com a outra. Foi uma conexão fraternal instantânea”.

CENA V: Lasanha

É novo, sim, mas esse respeito mútuo, os exercícios de confiança e as saídas juntas firmaram algo genuíno entre essas mulheres. Tome como prova contundente deste fato quando, durante nossa entrevista pelo Zoom, Scarlett conversa com uma assistente sobre o tempo de cozimento de um prato, fora da tela. “Eu fiz lasanha para uma amiga minha que acabou de ter um bebê”, ela diz, voltando-se para Florence, e explica que tinha deixado a travessa sobre o balcão da cozinha e, sem que ela soubesse, sua assistente a colocou no forno.

Talvez você queira verificar isso, para não dar uma porção de lasanha queimada a sua amiga, eu ofereço.

Eu sei, eu estava tipo, estou fazendo essa entrevista e pensando, Oh, que cheiro bom”, ela diz, abrindo um sorriso.

Eu nunca fiz lasanha, na verdade”, diz Florence, franzindo as sobrancelhas. “É um prato que meio que me apavora. O queijo, por algum motivo estranho. Eu não sei o porquê. Acho que fico preocupada de assá-la, e então quando retirá-la, todo o queijo estar duro e para fora. É fácil?

O que você faz quando o seu filme, que é um grande sucesso de bilheteria de Hollywood garantido, é colocado na prateleira por causa de uma pandemia global? Você faz o que o resto de nós faz: se serve de uma bebida, entra em uma reunião no Zoom com seu amigo que está longe, e faz lasanha.

Sim, é fácil. Bem fácil. Basicamente, você descobre—” Scarlett começa, e então para e joga as mãos para o alto. “Ah, bem, eu te conto mais tarde.

Fonte: Marie Claire.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 







disclaimer