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Florence Pugh e Scarlett Johansson concederam uma entrevista conjunta para a edição britânica de outubro da revista Empire, realizada por Chris Hewitt, acompanhada de um ensaio fotográfico promocional distribuído pela Marvel Studios e de autoria do fotógrafo Ricky Middlesworth. No bate-papo, as atrizes discutiram o aguardado filme “Viúva Negra”, sua importância para a Marvel e para a indústria dentro de um ponto de vista feminista e inovador e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica, os novos stills de produção divulgados com exclusividade pela publicação e os scans da revista:

Passando a Tocha
O tão esperado ‘Viúva Negra’ vê Scarlett Johansson dando adeus ao UCM e Florence Pugh chegando com alvoroço. Nós as reunimos para falar sobre mentoria, testar limites, explorar coisas novas e poder feminino

Há uma chance muito real de que “Viúva Negra”, de Cate Shortland, seja a última excursão de Scarlett Johansson no Universo Cinematográfico da Marvel como sua personagem-título, a astuta super-espiã/soldado solitária Natasha Romanoff. O que seria uma tremenda pena. Porque, embora essa seja a oitava viagem de Scarlett no carrossel UCM desde que ela apareceu pela primeira vez em “Homem de Ferro 2”, em 2010, é a primeira de Florence Pugh como a ex-espiã soviética, antagonista e meio-que-irmã de Natasha, Yelena Belova, em uma prequela aparentemente projetada para outorgar o manto de Viúva Negra a ela — agora que a própria Natasha está morta, ao que tudo indica irrevogavelmente, em um planeta estranho. E se a química fácil, engraçada e estimulante que as atrizes americana e britânica demonstraram em uma ligação com a Empire no começo deste verão se transferir para a telona, a Marvel deve tentar reuni-las em todas as oportunidades. Prequelas, spin-offs, sitcoms, o que funcionar. Ainda assim, como alguém disse uma vez, o futuro não está definido, e durante a entrevista conjunta da Empire, Scarlett e Florence falaram sobre o presente, o passado, e o caminho que levou a Marvel a fazer um filme protagonizado/dirigido por mulheres, que tem como finalidade a inovação…

Quando foi a última vez que vocês se viram pessoalmente?
Scarlett Johansson:
Eu vi você na época do Oscar…
Florence Pugh: Mas nós fizemos refilmagens uns dois ou três dias depois disso, lembra, querida?
Scarlett: Ah, verdade. Nós duas estávamos doentes.
Florence: Nós nos vimos bastante durante a temporada de premiações, o que foi muito legal porque tínhamos acabado de fazer um filme juntas. Então eu pude simplesmente ir e cutucar Scarlett Johansson em tapetes vermelhos e soltar, “Tudo bem, eu conheço ela.” Mas sim, é muito estranho não estar com ela. Nós começamos [a trabalhar no filme] há mais de um ano, querida. Foi em maio [de 2019] que começamos nossos treinos juntas.
Scarlett: Antes de você e eu começarmos a trabalhar nesse projeto juntas, eu tive um ou dois anos do processo de desenvolvimento. Faz tanto tempo. Fazem quase três anos, na verdade. Eu pensei nisso outro dia. “Quando eu comecei essa conversa para valer?” Lembro de quando nós estávamos filmando “Guerra Infinita”, comecei a falar pela primeira vez com Kevin [Feige] sobre isso como uma possibilidade real, como algo que realmente poderia acontecer. Foi há tanto tempo. Já faz uma eternidade.

Vocês duas se conheceram há mais de um ano, presumivelmente batendo uma na outra com violência?
Florence:
Literalmente. Eu nunca tinha feito um desses filmes antes, então eu estava muito ansiosa para iniciar e começar a aprender como rolar pelo chão [em uma coreografia de luta], porque eu não sabia exatamente o quanto se esperava de alguém que estava entrando em um desses filmes. O mais engraçado é que nós começamos ensaiando algumas cenas, o que foi adorável, mas na primeira semana de filmagens, Scarlett e eu tínhamos uma das maiores cenas de luta para nossas personagens, em que elas se vêem pela primeira vez em anos. E foi a primeira vez em que nos vimos, então nós estávamos fazendo esses ensaios e eu falava coisas do tipo, “Ok, eu te enforco agora e em seguida você me joga na parede.
Scarlett: É como um exercício de confiança bastante agressivo. Como atrizes, normalmente você se apóia na pessoa ou vocês se olham e dizem a mesma palavra por, tipo, 20 minutos. Foi exatamente assim, mas com uma chave de braço, basicamente. Embora eu deva dizer que foi eficaz. Apenas como atores, alguém teria a oportunidade de fazer algo assim. É uma loucura. É um trabalho tão engraçado e esquisito, no qual você pode ver alguém pela primeira vez em um ensaio de uma peça e um dia e meio depois, vocês estão gritando e soluçando um com o outro, se abraçando, ambos com muco escorrendo pelo rosto, e você expôs toda a fragilidade do seu eu infantil.
Florence: O mais legal disso é quando você conhece alguém que gosta tanto quanto você desse tipo de coisa. Isso torna toda a experiência um pouco mais agradável. Nem todo mundo gosta de ser jogado no chão o tempo todo, mas Scarlett e eu adoramos.

Scarlett, você já deve estar batendo nas pessoas segundos após conhecê-las há um tempo agora.
Scarlett:
É estranho dizer isso, mas já é uma coisa antiga para mim. É muito engraçado, no entanto. Já faz uma década em termos de duração e eu sei onde minha energia é melhor usada. Sei que provavelmente não vou atingir o nível profissional de Muay Thai em quatro meses. De forma que gastar minha energia tentando me igualar a um atleta profissional é um desperdício do meu tempo. Eu sei que é mais importante para mim que eu seja e pareça capaz e tenha esse tipo de confiança no que quer que eu esteja fazendo. Mas nem sempre foi assim. Eu passei tantos filmes me preocupando em excesso com coisas que basicamente nunca eram utilizadas, ou criando uma sequência de luta de seis minutos de duração e então mostrando-a ao diretor no dia da filmagem para ouvir ele dizer, “Eu acho que só precisamos de 15 segundos disso.” Aí você fica, “O queeeeee? Eu desperdicei todo esse tempo!” Então eu acho que sou mais eficiente agora.

Florence: Quando estávamos fazendo aquela primeira luta, eu estava muito preocupada com uma rotação que eu tinha que fazer, e estava basicamente tentando mergulhar no ar enquanto aplicava um golpe nas pernas dela para então rolar. Para uma pessoa normal, isso é quase impossível. E eu me lembro de ficar apreensiva com isso: “Eu não sei se vou conseguir fazer essa acrobacia.” Scarlett me disse, “Querida, há um motivo para você ter alguém que se pareça exatamente com você pronta para te dar apoio. Ela é uma atleta e sabe como fazer isso e ficará ótimo.

Há coisas para as quais você não tem dublês: a parte da atuação. Vocês podem falar sobre isso e sobre trabalhar nesse relacionamento entre essas duas personagens, que tem que ser fraternal mas com um certo limite?
Florence:
Foi uma alegria completa. Mas também, eu na verdade embarquei em uma narrativa da qual eu não fazia parte e precisava ser educada sobre. Eu sei um pouco de assistir aos filmes anteriores, mas foi realmente fantástico que a mulher com quem eu estava trabalhando não só era a rainha deste reino, como também sabia absolutamente tudo. Foi ótimo embarcar nesse projeto e dar vida a esse relacionamento complicado, no qual há tanto amor mútuo e também tanta dor por trás deste amor, que leva um filme inteiro para que elas realmente possam se abrir uma com a outra.
Scarlett: De muitas maneiras, a pressão não estava realmente sobre mim. Eu tinha confiança na Cate [Shortland], nossa diretora, para liderar todos nós como uma trupe de atores, para nos guiar e encontrar mais profundidade em algo, ou um afeto em algo, ou diferentes nuances. De forma que parecia um pequeno filme dentro de um grande filme, eu acho. Quando você o assiste, você também tem essa impressão. Tem um certo intimismo sobre ele. Esses relacionamentos são possivelmente alguns dos mais complicados com os quais a Marvel já lidou. Eles são profundos, casos familiares complicados. Nós pudemos fazer algumas coisas muito gratificantes do ponto de vista dramático, e é para isso que trabalhamos.

O filme é uma prequela. Há um grande motivo para isso, que é que agora Natasha está morta no UCM. O que foi um grande choque — Florence, eu presumo que você já tenha visto “Ultimato”?
Florence:
[risos] Eu já assisti, não se preocupe.
Scarlett: Alerta de spoiler!

[…]

Florence, você vem acompanhando com afinco o UCM e a progressão de Scarlett como Natasha ao longo da última década ou algo assim?
Florence:
Eu não era uma fanática. Sem ofensa, Scarlett. Eu não sei todas as informações sobre todos os personagens, mas me lembro de assisti-los durante a minha adolescência. Eu definitivamente me mantive atualizada. Tanto que fiquei arrasada — me lembro dos primeiros vazamentos sobre a morte da Natasha e que achei isso muito injusto porque ela era a personagem feminina mais incrível. Me lembro de ficar chocada. Mas é engraçado ter trabalhado no filme pelo qual as pessoas vêm torcendo nos bastidores há anos, e poder trabalhar ao lado da Viúva Negra e assisti-la.
Scarlett: Florence diz todas essas coisas, mas ela tem tanta integridade e sua personagem também. Ela é excepcionalmente independente. A personagem é tão cheia de vida e tem tanta segurança em si mesma. Essas são todas qualidades que Florence tem de sobra. É muito revigorante. É uma performance muito revigorante e empolgante de se assistir.

Ambas entraram no UCM em pontos muito distintos. Scarlett, ainda era um grande risco quando você fez “Homem de Ferro 2”, e, ao longo dos anos, sua contribuição os ajudou a chegar a um ponto em que um filme como este não é mais um risco. E, francamente, o UCM foi um grande festival de salsichas [lê-se: masculino] por anos…
Scarlett:
Um festival de salsichas? [risos]

Sim! E agora é muito mais representativo e muito mais diverso. Então, as coisas mudaram nesse sentido.
Scarlett:
Sim, graças a Deus. Estamos evoluindo com o tempo. O que eu posso dizer é que, falando especificamente sobre esse filme — porque é impossível englobar todo o Universo Marvel e o quanto ele é muito maior do que jamais poderíamos ter imaginado que seria um dia — tem tanta coisa acontecendo. Vai além da compreensão. Quando comecei há dez anos, não li um roteiro. Eu não sabia em que isso se transformaria. Eu estava colocando toda a minha confiança em Jon Favreau [diretor de Homem de Ferro 2]. Mas nenhum de nós, desde aquele comecinho, poderia ter imaginado que estaríamos aqui, discutindo esse tipo de coisa. Eu acho que esse filme em particular é basicamente um reflexo do que está acontecendo em consequência dos movimentos Time’s Up e #MeToo. Seria um erro tão grande se não abordássemos esse assunto em específico, se esse filme não levantasse essa bandeira abertamente. Eu acho, particularmente para Cate, que era tão importante para ela fazer um filme sobre mulheres que estão ajudando outras mulheres, que tiram outras mulheres de uma situação extremamente difícil. Alguém me perguntou se Natasha era uma feminista. É claro que ela é, isso é óbvio. É uma pergunta meio estúpida.

Vou riscar ela da minha lista…
Scarlett:
[risos] Mas esse filme, com sorte, não irá apenas elevar o gênero, como também testará os limites da Marvel novamente e a impulsionará além de sua zona de conforto de uma forma completamente nova. É uma oportunidade realmente única fazer um filme desta escala, que tem uma mensagem tão comovente, profunda e poderosa por trás. Acho que conseguimos fazer isso com louvor.
Florence: Sim. E você percebe isso nos dez primeiros minutos do filme. Você já está impressionado por coisas incríveis que não estariam em um filme, qualquer filme, mesmo que somente cinco anos atrás. Foi muito legal de se assistir.

Isso é interessante. Como “Pantera Negra”, este teria sido um filme muito diferente dez anos atrás.
Scarlett:
Tenho certeza que um filme da Viúva Negra poderia ter sido feito há dez anos, mas não teria sido esse filme, com certeza. Teria sido outra coisa que provavelmente pareceria ótima. [risos]

E agora foi feito.
Florence:
Está incrível. Eu tenho que falar: eu assisti a um corte [do filme], estava sentada no sofá e todas as vezes em que algo acontecia, algo que tinha qualquer tipo de ação, eu ficava tipo, “Vamos, Natasha! Vai! Vai!” Eu estava muito animada em gritar com a minha própria televisão.

Você faz isso com todos os filmes da Scarlett? Com “História de Um Casamento”, digamos? “Vai, Scarlett, vai!”
Scarlett:
Ah, sim, ela faz isso com todos eles. Ela amou a cena do divórcio no tribunal. Ela estava torcendo por mim.
Florence: Eu estou sempre torcendo por todas as personagens dela. “Se divorcie!

Fonte: Empire UK.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 



Florence Pugh concedeu uma entrevista exclusiva para a edição britânica de junho da revista Elle, realizada por Hannah Nathanson, acompanhada de um ensaio fotográfico realizado por Liz Collins. Na entrevista, a atriz abordou seu próximo projeto, o filme da Marvel Studios “Viúva Negra“, seu namoro com o também ator Zach Braff, a fama e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica e os scans da revista:

Você já conheceu Florence Pugh?
Prática, sincera e deliciosamente travessa, Florence Pugh não só é uma das atrizes mais talentosas de sua geração, mas também é uma das mais intrigantes.

Florence Pugh está tendo um momento intensamente prazeroso. Lentamente, elegantemente, com a precisão tentadora de Nigella Lawson, ela corta uma bola reluzente de burrata. ‘Ai meu Deus! Você viu isso?‘ A burrata está em sua frente, salpicada em molho pesto; seu conteúdo escorrendo para o prato. ‘Foi bem sensual, não foi?‘ ela diz. Há uma pausa. ‘Não conte ao mundo que eu disse que cortar queijo foi bem sensual.’

Mas almoçar com Florence Pugh é uma experiência sensual. Talvez isso se deva ao fato de nossa tarde ser cheia de insinuações seguidas de sobrancelhas erguidas (dela, não minhas), ou ao fato de que a risada de Pugh – um rugido alto, profundo e desinibido (ela chama isso de sua ‘risada de dinossauro’) – ecoa pelo restaurante a cada poucos minutos. Ou talvez seja apenas o fato de Pugh ser um dos grandes artistas sensuais – alguém livre das superficialidades de relações públicas; possuindo apetite extraordinário, opiniões em abundância e uma transparência rara que faz com que todos que a conheçam queiram desfrutar de sua companhia.

Nos encontramos no Luca, um restaurante italiano em Clerkenwell, Londres. (Isso aconteceu apenas algumas semanas antes de sermos forçados ao confinamento do Covid-19.) Pugh está naquele delicioso estágio em sua carreira em que ainda está disposta a oferecer a um jornalista mais do que um ‘bate-papo’ de uma hora para seu ensaio fotográfico de capa, então optamos por um almoço. O pai dela era dono de restaurante e ela tem um passatempo secundário bem-sucedido de testar receitas em seu Instagram Stories, então ela está em um ambiente bastante familiar arregaçando as mangas nos confins da cozinha de um estranho. Quando chega, ela cambaleia para dentro com uma mala quase do seu tamanho e várias sacolas cheias do que parece ser todos os seus pertences mundanos. Ela explica que passou os últimos meses em Los Angeles, mas acabou de pousar em Londres por algumas noites antes de voltar para a casa da sua família em Oxfordshire.

Atualmente em LA, onde está vivendo em confinamento, ela diz que cozinhar tem sido sua salvação durante esses tempos de ansiedade passados longe de sua família: ‘Quando o confinamento mundial começou e a situação obviamente ficou séria bem depressa, eu me encontrei desesperada para cortar. Alimentar. Comer. Repetir! Isso me acalma, me manter ativa e criar.‘ Ela também não está imune ao frenesi de fazer massa fermentada: ‘Eu me tornei uma criadora de pão lêvedo,‘ ela me conta de LA. ‘Eu guardei uma fatia de cada pão no freezer para que minha mãe possa experimentar o progresso, do começo ao fim, quando o isolamento afrouxar.

Além de compartilhar suas habilidades de fazer pão, Florence está ansiosa para voltar à normalidade após o confinamento: ‘Continuo sonhando acordada com caminhar pelo Soho ou por East London enquanto o sol brilha, com um coquetel de lata da M&S (é tradição) na mão e minhas amigas em meus braços,‘ ela diz.

As condições de vida restritas também foram um momento de auto-reflexão: ‘Fiquei tão surpresa com o quão cruel sou comigo mesma! Vivendo em confinamento, descobri que não há sentido em se chatear consigo mesmo por não ler aquele livro, escrever aquela música, ou malhar naquele dia. Estou me ensinando a encontrar alegria o máximo que puder e a diminuir o ritmo nesses longos dias em aberto.‘ Isso significa ficar longe do Zoom também: ‘Não tecnológica de forma alguma… eu fiz uma peça virtual ao vivo de “In Our Youth” há algumas semanas e, enquanto eu estava logando [no Zoom], errei o número de ID da sala e acabei entrando em uma reunião de estranhos que GRAÇAS A DEUS só iria começar em 30 minutos!

De volta a uma Londres pré-confinamento, estamos a meia hora em nossa aula de fabricação de massas com o chefe de cozinha quando começa. Enquanto enrola nhoque em uma tábua própria para massas que parece um batente de porta, Florence declara: ‘Quem decidiu pegar uma palmatória e dizer, “Vou esfregar minha massa nela?”‘ Uma deixa para a ‘risada de dinossauro’ e um chefe de cozinha corado que apressadamente apresenta uma tábua de formato diferente. Quando chefs entram no local, um com montes de massa, outro trazendo pratos de sobremesa, Pugh fica como um cachorrinho empolgado. ‘Errrrm, o que?‘ ela grita a uma montanha de tiramisu. ‘Tiramisu é a minha sobremesa favorita. Você sabia disso?‘ ela pergunta ao chef estupefato. Ele confidencia que ganhou peso desde que assumiu o cargo. ‘Tudo bem,‘ ela o tranquiliza. ‘Você é um chef… combina com você.

Pugh está acostumada a criar camaradagem com estranhos. Ela atribui isso a uma família animada, meio amantes de comida, meio dramáticos (seu irmão e sua irmã também são atores). ‘Eu cresci em uma família muito grande, em que comer, performar e conversar eram coisas que aconteciam tradicionalmente todos os domingos,‘ ela diz enquanto nos sentamos para apreciar nossas massas. ‘Nós tínhamos grandes almoços com todo o tipo de pessoas, vindas de todos os lugares do mundo – músicos, artistas, escritores – e era esperado que nós [as crianças] falássemos e acolhêssemos [as pessoas].

Quando Florence era uma adolescente de 17 anos em uma escola particular de Oxford, ela fez testes para o filme “The Falling“, de Carol Morley, sobre um grupo de garotas que, misteriosamente, continuavam a desmaiar. Florence, que se destacava nas artes, mas nunca havia estudado-a especificamente, conseguiu um dos papéis principais ao lado de Maisie Williams, de Game of Thrones, que ainda era relativamente desconhecida na época. Apesar de nunca ter frequentado uma escola de artes cênicas, foi uma performance impecável de Florence, que interpretou uma adolescente promíscua que enfeitiçava todos que a conheciam.

Durante as filmagens, Carol Morley não permitia que as garotas se assistissem no monitor: ‘Acho que ela não queria que a gente atuasse por vaidade, ou que soubéssemos o que não gostávamos em nós mesmas na tela,‘ diz Pugh. ‘Ela queria nos manter o mais ingênuas possível.‘ Esse estilo de direção, sem dúvidas, ajudou, pois a carreira de Pugh decolou. ‘Nunca me incomodei com as coisas estranhas que acontecem durante as gravações, talvez por causa disso. Não me importo com a minha papada, isso não faz parte do processo de atuação para mim.

No início deste ano, Florence foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, após seu papel como Amy March ao lado de Saoirse Ronan e Emma Watson em “Adoráveis Mulheres“. Greta Gerwig, a diretora do filme, me conta que Florence trouxe sua energia familiar e divertida ao set todos os dias: ‘Ela sabe instintivamente como fazer parte de um grande grupo familiar. Ela sempre era a primeira nas brincadeiras de luta, a primeira contando uma piada, desencadeando uma crise de risos, comendo os bolos do cenário. Ela tinha aquela energia transbordante da irmandade.

Essa proximidade de irmã é algo que Scarlett Johansson, sua parceira de cena no próximo filme da Marvel, “Viúva Negra“, também sentiu: ‘Eu não tenho uma irmã mais nova,‘ ela me diz ao telefone, de Nova York. ‘Mas com a Florence, eu sinto que há alguns elementos da dinâmica irmã mais velha/irmã mais nova.‘ Com o filme mais recente da Marvel, Pugh está deixando sua própria marca: seu novo status estelar foi confirmado em apenas 30 segundos em um trailer exibido durante o Super Bowl, assistido por mais de 100 milhões de pessoas. Nele, Pugh ganhou tempo de tela equivalente ao da colega de trabalho e indicação ao Oscar, Johansson.

No meio de seu sucesso, é difícil esquecer que Florence ainda está no começo de seus 20 e poucos anos. ‘Queria ter sido tão confiante quanto ela é quando eu tinha sua idade,‘ diz Scarlett. ‘Ela é confiante quanto a sua aparência e tem muito respeito por si mesma. Ela me lembrou – só de ouvi-la falar sobre seus relacionamentos com amigos, família ou seu namorado – o quão importante é ter segurança em suas crenças e desejos.

O namorado de Florence é o ator Zach Braff, que por acaso também é 21 anos mais velho que ela. Muita polêmica foi feita em cima da diferença de idade (grande parte em forma de linchamento virtual – falaremos mais sobre isso depois), mas quando você passa um tempo com Pugh, você se pergunta como um homem de 24 anos de idade conseguiria ser adequado.

Sua decisão de aceitar o papel de Yelena Belova em “Viúva Negra” – uma espiã russa que, como a personagem de Johansson, Natasha Romanova, foi treinada no programa Viúva Negra – não foi fácil de se tomar. ‘Quando você pensa na Marvel, é grandioso e intimidador. Especialmente sendo uma atriz relativamente pequena, refletir sobre isso e pensar, “Oh! Eu vou fazer parte disso,” é uma decisão importantíssima,‘ diz ela. Mas nada poderia ter preparado Florence, que admite que não ter sido uma fã fanática da Marvel durante a infância e a adolescência, para a massiva resposta global. No último verão, o elenco foi revelado na San Diego Comic-Con, a convenção anual de super fãs. ‘Era como um armazém cheio de gente,‘ diz ela. ‘Nós saímos [para o palco] e eu nunca havia escutado um estrondo como aquele. O que foi realmente adorável é que dissemos olá, e então fomos para a frente do público e assistimos a um clipe. Durante todo o tempo, Scarlett marchou como se fosse a rainha deles,‘ diz Florence. ‘Ela é tão incrível e faz tudo com maestria. Em seguida nós assistimos o clipe e eu estava com medo porque meu sotaque russo seria revelado ao mundo e eu não sabia como ele soava. Eu também estou interpretando uma personagem que ninguém viu antes, apesar de já terem lido sobre ela; eu não sabia se as pessoas iriam me odiar. Nós duas ficamos lá paradas e instantaneamente, minhas mãos começaram a ficar úmidas e a suar. Scarlett me deu a sua mão e nós apertamos as mãos uma da outra, e ela também estava com as mãos úmidas! E então eu fiquei tipo, “Oh, você nunca se acostuma com isso. Isso é tão poderoso [para você] e você é a lenda deles”.

A personagem de Pugh em “Viúva Negra” é descrita como estando ‘no auge de sua condição atlética’. Quando eu digo isso a Florence, ela solta uma risada rouca que parece vir não de sua barriga, mas de seus pés. ‘Essencialmente, você tem que se movimentar com perfeição. Pessoalmente, eu amei tudo isso porque cresci com muita dança e muita movimentação. Eu estava sempre brincando de luta com meu irmão [o ator e músico Toby Sebastian], então acho toda essa coisa de combate muito empolgante. Uma vez que você vai mostrar isso para as câmeras, você tem que saber como fazê-lo de maneira correta e que pareça real, e isso é uma categoria totalmente diferente,‘ diz ela.

Há muito tempo existem rumores de que as estrelas dos filmes da Marvel têm que se submeter a uma dura rotina de exercícios e dietas exigentes, o que é interessante, uma vez que Florence já havia falado sobre más experiências quanto a autoestima em relação ao corpo que ela teve em Hollywood quando adolescente. ‘Quando consegui o emprego, quis saber qual era o regime,‘ diz ela, comendo uma garfada de bacalhau. ‘Eu quis saber se seriam eles ou eu quem daria as ordens. Isso foi muito importante para mim. Eu não queria fazer parte de uma coisa na qual eu seria constantemente fiscalizada. E ter pessoas se certificando de que eu estava na forma “correta”. Isso não é para mim de jeito nenhum.

Ainda assim, ela disse que comia bem, cozinhava de manhã e levava uma vasilha plástica com comida caseira todos os dias. ‘Scarlett tinha esse cara incrível que cozinhava coisas lindas para ela e sua equipe. Eu achei que isso foi inteligente, porque você está se exercitando o tempo todo e precisa ter alguém que realmente saiba o que você está comendo e que nutrientes está recebendo. Lembro dela me perguntando, “Por que você está cozinhando para si mesma? Nos deixe alimentar você de uma vez!” E eu fiquei tipo, “Não,” ela diz, rindo com a lembrança. ‘Meu cérebro é tão “Pew, pew, pew,”‘ diz ela, atirando lasers imaginários com os dedos. ‘De verdade, meu hobby terapêutico é cortar, cozinhar, mexer e provar.

Uma das coisas pelas quais os fãs de Florence a amam, é sua abordagem franca à vida como uma atriz, especialmente nas redes sociais. Ela fez recentemente uma série de Instagram Stories censurando duramente seu iPhone por colocar automaticamente um filtro em uma selfie que ela postou: ‘Isso deve ser uma escolha sua,‘ diz ela, ainda visivelmente aborrecida com a experiência. ‘Eu não estou dizendo que quero evidenciar minhas falhas por aí, mas a questão é que eu deveria ter decidido que elas fossem eliminadas, e não meu telefone ser automaticamente programado para sumir com as coisas que me fazem ser quem sou.

Ela admite que aborda a vida online com um toque de diversão. ‘Quando estou fazendo marmelada, não me preocupo em estar com o cabelo bonito. Há momentos em minha vida nos quais eu me arrumo e dois artistas incríveis vêm em minha casa e me pintam, puxam e escovam por duas horas. E então eu vou para o tapete vermelho. É um evento de duas horas, em seguida vou para casa e tiro tudo. Mas quando eu faço marmelada, minha aparência está normal,‘ diz ela.

As redes sociais foram também onde ela revidou os ataques verbais contra Braff. Quando emergiram fotos de paparazzi dos dois de mãos dadas, trolls criticaram duramente o ator de “Scrubs“, dizendo: ‘Você tem 44 anos’, Florence respondeu com a simples réplica: ‘E ainda assim, ele me conquistou’. Quando ela relembra sua resposta, diz que foi ‘necessária‘. ‘Porque as pessoas precisam perceber que isso é ofensivo. Eu tenho o direito de conviver, ficar e sair com quem eu quiser,‘ diz ela, soltando uma risada nervosa.

Eu sempre achei essa parte do que as pessoas fazem realmente bizarra. Sou uma atriz porque gosto de atuar e não me importo que as pessoas assistam minhas coisas, mas elas não têm nenhum direito de me educar em minha vida pessoal.‘ Ela, no entanto, tem consciência de que namorar outro ator pode atrair mais atenção: ‘Eu sei que parte de estar nos holofotes é que as pessoas podem invadir sua privacidade e ter opiniões quanto a isso, mas é bizarro que pessoas comuns possam mostrar tanto ódio e opiniões sobre uma parte da minha vida que eu não estou abrindo ao mundo. É um lado estranho da fama você poder ser dilacerado por milhares de pessoas, mesmo que você não tenha exibido essa parte de si por aí,‘ diz ela, subitamente séria. ‘Eu não quero falar sobre isso porque não é algo que eu queira enfatizar, mas meu ponto central sobre isso tudo é que, não é esquisito que um estranho possa estraçalhar totalmente o relacionamento de alguém e que isso seja permitido?

Pugh levou seus pais, não Braff, ao Oscar. ‘Isso não foi para depreciar ninguém; eu precisava que eles estivessem lá,‘ diz ela. Ela achou a experiência ‘tão incrível, estranha e incomum‘, mas ela tinha guloseimas para sobreviver às quatro horas de cerimônia. ‘A certa altura, todos se levantaram para aplaudir Martin Scorsese. Eu havia acabado de pegar um pacote de M&Ms. Quando todos nos levantamos, uma câmera apareceu bem em meu rosto e eu estava sacudindo esse saco de M&Ms por aí. Então eu simplesmente tive que largá-lo… no chão. Eu pensei, “não posso ser a garota que está comendo M&Ms enquanto aplaude o Martin de pé.”

Estamos em nossa terceira tigela de macarrão quando o tempo da nossa entrevista acaba. Tem um motorista esperando para levar Florence a Oxfordshire. Ela pede educadamente para que as sobras sejam embaladas. ‘Minha mãe adoraria uma marmita,‘ diz ela, obviamente ansiosa por alguns confortos domésticos. Nós andamos pelo restaurante e eu pergunto se ela costuma ser reconhecida. Ela diz que, a menos que esteja com alguém (como Scarlett) e as pessoas somem dois mais dois, ninguém a para na verdade; ela se safa por ser ‘uma loira normal’.

Ela arrasta sua mala para o carro enquanto faz malabarismos com diversas bolsas: ‘No Oscar uma semana, e olhe para mim agora!‘ exclama ela quando nos abraçamos em despedida. Mas, enquanto ela se afasta no carro com suas sobras no colo, eu não tenho certeza de quanto tempo a vida como uma loira normal irá durar.

Fonte: Elle Uk.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 



Florence Pugh é a capa da edição de fevereiro da Vogue americana! A atriz concedeu uma entrevista exclusiva para a publicação, realizada por Gaby Wood, e posou para as lentes do fotógrafo Daniel Jackson. Durante a entrevista, Florence relembrou sua carreira, papéis marcantes, discutiu seus mais recentes projetos, o filme “Adoráveis Mulheres” e o próximo empreendimento da Marvel, “Viúva Negra“, e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica e os scans da revista:

De “Adoráveis Mulheres” a super-heroína da Marvel, Florence Pugh é um novo tipo de estrela revelação

Em abril do ano passado, a atriz britânica Florence Pugh estava visitando Nova York com suas irmãs quando entrou em um estúdio de tatuagem. Ela não sabia o que queria fazer. Até que, de repente, soube.

Tudo bem, eu quero uma abelha,” ela disse.

Que tipo de abelha?” o tatuador perguntou.

Eu quero uma visão panorâmica. Bastante matemática. Nada realista,” ela respondeu.

O tatuador sorriu. “Para alguém que não sabia o que queria,” ele disse, “você falou com exatidão.

É,” Florence disse, mais surpresa do que qualquer um. “Isso é estranho.

Ela me conta essa história em uma tarde em Londres, olhando para o pequeno desenho em linhas na parte interna do seu pulso e franzindo um pouco o cenho em confusão com seu próprio impulso. O conto de sua primeira e única tatuagem parece dizer muito sobre o modo como Florence opera. Ari Aster, que a dirigiu no assustador “Midsommar” do último verão, sugere que ela é “alguém que realmente precisa confiar em seus instintos,” e que é importante que os outros também confiem neles “porque os instintos dela são extremamente confiáveis.” Isso dá a ela uma mistura sedutora de confiança e modéstia, de comprometimento sem ambição impetuosa.

O símbolo que ela carrega no corpo é, na verdade, uma abelha operária.

Eu sei,” ela diz quando eu sugiro que isso é apropriado, “e eu não fazia a mínima ideia.

Com apenas 24 anos de idade, Florence tem trabalho como atriz pelos últimos sete anos, fugindo de rotas previsíveis para a fama e escolhendo papéis intrigantes sem ostentação. Em 2018, ela estrelou a adaptação para a TV extremamente elegante de Park Chan-wook de “The Little Drummer Girl“, baseada na obra de John le Carré — uma performance realizada tão plenamente que inspirou o próprio le Carré a colocar uma personagem chamada Florence em seu romance mais recente. Ano passado, ela estrelou a comédia de luta livre “Lutando Pela Família“, feita por Stephen Merchant, co-criador de The Office; “Midsommar“; e, principalmente, a adaptação de Greta Gerwig de “Mulherzinhas“. Esse ano ela irá interpretar Yelena, a aliada atlética de Scarlett Johansson, no filme da Marvel “Viúva Negra“. Tudo isso fez de Florence, um tanto que meteoricamente, uma artista de Hollywood abrangente, de poder pouco convencional — e uma pessoa que, ao que parece, sabe exatamente o que quer.

Quando nos encontramos, Florence havia acabado de retornar do Marrocos para Londres, depois de passar meses em combate físico com Scarlett no set. Nós estamos em um restaurante do Oriente Médio em um canto tranquilo do Borough Market, que está fervilhando com açougueiros, padeiros, fabricantes de alcaçuz, com fornecedores de trufa e responsáveis por queijo de alto escalão. A avó materna de Florence, a indomável matriarca Vovó Pat, costumava trazê-la aqui de Oxford quando Pugh era uma criança, e elas costumavam provar a comida antes de irem ao cinema.

Hoje, ela está sentada à minha frente, vestindo uma camiseta preta da Ragyard com dois escorpiões aplicados nela, e toma uma vodca com soda durante o almoço. Ao seu lado, está uma jaqueta bomber de seda preta que ela comprou em um brechó de caridade quando tinha oito anos e tem usado desde então. Sua voz é mundana e animada, com uma rouquidão originária — como ela me conta mais tarde — de uma enfermidade na infância.

Eu não sabia bem o que era estar envolvida em um desses filmes,” ela diz da corporação Marvel. “Obviamente que você tem que ser fisicamente capaz porque o ponto principal,” ela acrescenta com ironia, “é que você é um super-herói.” Mas o resto, disseram-lhe, dependia dela. Florence foi direto para o galpão onde os dublês de acrobacias ficavam. “Aprender com eles foi a minha parte favorita,” ela diz. Embora tivesse uma dublê, ela queria saber como fazer tudo — e como a diretora de “Viúva Negra“, a cineasta australiana Cate Shortland, relata, Florence fez a maioria das acrobacias de suas cenas de ação: “Ela é de arrepiar mesmo. Feita de aço. Ela não vai desistir [de algo que queira], sem dúvidas. Ela tem uma quantidade saudável de raiva em si, na condição de ser humano, por todas as injustiças que vê ao seu redor.

Mais do que qualquer outra coisa, no entanto, foi o “soco no estômago” do filme que surpreendeu Florence. Com Shortland — aparentemente selecionada entre 70 candidatos à direção — no comando, e influenciado em grande parte pela própria Scarlett, “Viúva Negra” é apenas o segundo filme no universo Marvel (depois de “Capitã Marvel“, de Brie Larson) a se concentrar nas mulheres. Embora os detalhes da trama estejam sendo mantidos em segredo até a estreia do filme em maio, Florence diz que a história “lida com algumas coisas bem difíceis. É bruta, dolorosa, emocionante e engraçada, e de forma alguma… feminina. É sobre mulheres destruídas juntando seus pedaços.” Shortland acrescenta que ela — junto a Florence, Scarlett e Rachel Weisz, que também protagoniza o filme — “queria fazer algo íntimo dentro do gigantesco universo Marvel. Nós criamos relacionamentos femininos com corpo, com carne e sangue. Elas não tiveram que se fazer de boazinhas.

Florence entrou na indústria à beira de algo bem particular: uma época em que as mulheres podem dar as ordens (ao menos algumas). Seu primeiro papel foi em “The Falling“, uma meditação hipnótica em menor escala sobre histeria, ambientada em uma escola só para garotas e dirigida por Carol Morley. Seus dois últimos projetos — “Adoráveis Mulheres” e “Viúva Negra” — também foram dirigidos por mulheres. Ela tem estado em uma posição de poder tomar essa força feminina como certa e seguir em frente sem se intimidar.

Se o arquétipo da mocinha implica algo como uma mulher jovem e impressionável cuja ascensão depende em parte do favor de seus superiores (provavelmente do sexo masculino), Florence pode oferecer uma alternativa, um novo tipo de estrela em ascensão que está emergindo em uma época na qual diferentes dinâmicas de poder são possíveis. Olhando para sua carreira até agora, um otimista pode pensar que o antigo modelo possui uma influência menor. Florence se recorda de ler sobre Jennifer Lawrence estar recebendo um salário menor do que seus colegas de elenco do sexo masculino e pensar, “Oi? Isso não pode ser considerado normal.” Mas ela sabe que o que está acontecendo agora é o resultado de um debate bem mais longo. Como ela mesma coloca: “Na verdade, esses debates estão fundamentando os discursos das mulheres nos filmes agora. Quando uma mulher fala, ela terá algo a dizer.

Florence cresceu em uma família de anfitriões: Seu pai é dono de restaurantes em Oxford; seu avô trabalhou em mercados de frutas e administrava um pub. “Somos uma grande família que adora comer,” ela diz com uma risada gutural. Sua mãe era professora de dança, e Florence relaciona tudo isso — a boa comida e a companhia exuberante — à performance. “Tudo isso é grandioso, afetuoso e acolhedor,” ela explica. Até hoje, ela acha que cozinhar para alguém é “uma das maneiras mais simples, mas mais maravilhosas, de se ter um encontro.” Quando vagamos, após o almoço, até uma barraca de queijos no mercado, Florence faz perguntas tão perspicazes ao dono que, imediatamente, tem um emprego oferecido a ela.

Eu sempre tive uma personalidade muito forte,” Florence diz. “Por exemplo, quando eu era mais nova, eu sempre vestia a coisa mais vibrante. Eu amava pintar o meu rosto. E devido a eu ser tão boa nisso, não acho que meus pais consideravam isso insolente.” Quando adolescente, Florence costumava atuar como babá residente para uma multidão que vinha em visita aos domingos. Com uma pequena tropa a seus pés, ela fazia fantasias, servia chá em xícaras de brinquedo, e inventava um drama que, inevitavelmente, incluía um papel fundamental para si mesma. “Eu falava: ‘Não, esse é o meu papel. Eu interpreto a mulher sofrida que perdeu o marido.’

Mas antes disso, entre as idades de três e seis anos, ela morou na Espanha com seus pais e irmãos, Arabella e Sebastian, que são 10 e quatro anos mais velhos do que ela, respectivamente. (Uma irmã mais nova, Rafaela, nasceu quando Florence tinha sete anos.) A mudança de Oxford para a Espanha teve como objetivo ajudar os problemas de saúde de Florence: Ela sofria do que mais tarde foi diagnosticado como traqueomalácia — o que significa que sua traqueia entrava parcialmente em colapso após ela respirar — e, quando criança, passava bastante tempo em hospitais. Agora ela só tem, como diz, “uma tosse muito assustadora,” e qualquer pessoa que a tenha visto soluçando em “Midsommar“, reconhecerá a chocante pontuação gutural em sua performance de luto.

Isso também a deixou com uma voz incomumente madura para cantar. Quando Florence era adolescente, sua mãe começou a postar vídeos caseiros dela cantando no YouTube — sem perceber completamente, até que ela desenvolveu uma base de seguidores, que qualquer pessoa podia assisti-los. Você ainda pode encontrar “Flossie Rose” usando um pesado delineado preto, sentando descalça sobre a cama, cantando covers da banda Oasis e acompanhando a si mesma no violão. Desde então, ela cantou em alguns de seus filmes, e a música é algo que ela gostaria de explorar mais.

Cantar e atuar virou o negócio da família. Sebastian, que atende pelo nome profissional de Toby Sebastian, lançou um EP em 2019, e sua carreira de ator inclui interpretar Trystane Martell na quinta temporada de “Game of Thrones“. Arabella (agora Gibbins) é uma atriz, cantora e professora de canto. Rafaela, que tem 16 anos e ainda está na escola, também atua. Os irmãos, com quem Florence passa o máximo de tempo possível, desempenham a função muito importante de manter uns aos outros sãos. A título de exemplo, Florence me conta sobre ir assistir “Midsommar” com sua família. “Midsommar” é, em parte, um filme sobre perder sua família e tentar recriá-la em outro lugar — com consequências desastrosas.

Em uma das cenas de abertura, os pais e a irmã da personagem de Florence morrem por inalação de gás — não exatamente divertido para toda a família, mas sua irmã de 16 anos professou estar desapontada.

Não sei por que chamam isso de filme de terror,” Rafaela disse. “Nem é tão assustador.

Hum, tudo bem,” disse Florence. “Mais algum comentário?

Seis semanas após o nosso almoço em Londres, Florence e eu nos reunimos em Los Angeles. Ela pede para nos encontrarmos no que sente ser “o único lugar estranho e com curvas” na cidade. Laurel Canyon era — como uma placa próxima lembra aos visitantes — aonde “o espírito comunitário e psicodélico da década de 1960… se unia.” Perto da antiga casa de Jim Morrison, na ampla varanda de madeira de 100 anos de idade da Canyon Country Store, Florence senta-se ao sol vestindo calças de pernas largas de cetim preto, calçados espadrille e uma camisa regata preta, seus cabelos amarrados com um lenço de seda antigo. Ela fez sete amigos em questão de minutos.

Florence nem sempre teve bons momentos na cidade. Ela veio para L.A. pela primeira vez em 2015 pelo papel principal em um piloto chamado “Studio City“. Aparentemente, era um sonho. Ela nunca tinha vindo aos Estados Unidos; tinha 19 anos de idade. Mas ela teve “uma experiência horrível,” ela lembra, com seu peso como um tópico aberto de conversa. “Eu tive meio que um colapso,” ela diz agora. “Quando [o projeto] não aconteceu, foi que eu percebi o quão aliviada eu estava.

Imediatamente, ela foi escalada em “Lady Macbeth“, um drama indie sombrio do século XIX (baseado no romance de 1865 de Nikolai Leskov, “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk” — o livro, por sua vez, inspirado por Shakespeare) no qual ela interpreta a esposa entediada e semi-encarcerada do filho de um proprietário de minas. A personagem de Florence se irrita e então resiste mais violentamente às restrições impostas a ela. Esse papel incomum e poderoso, Florence diz, deu a ela uma ideia do tipo de atriz que queria ser. “Eu gosto de me sentir crua. Gosto de me sentir nua. Todas as vezes em que surge uma oportunidade de eu ser perfeita nas telas, entro em pânico.

Foi vê-la em “Lady Macbeth” que fez com que Cate Shortland, Greta Gerwig e Ari Aster quisessem todos escalá-la em seus respectivos filmes. Ari esperou por meses até que ela terminasse de gravar “The Little Drummer Girl” e pudesse enviar uma fita para ele. Dani, a personagem central bastante complexa e intensa de “Midsommar“, não foi apenas um papel difícil porque ela tinha que “conduzir o filme integralmente,” Ari observa. Dani também era “um papel perigoso de se assumir. Ela poderia ter se tornado desgastante ou autopiedosa. Foi incrível vê-la evitando todas as armadilhas, sem abandonar tudo o que a personagem exigia.

A experiência de filmar “Lady Macbeth” também fez com que Florence prometesse a si mesma que não retornaria a Los Angeles “até que soubesse quem era.” Dois aos depois ela estava de volta, interpretando uma lutadora musculosa com o cabelo tingido de preto, maquiagem gótica e um sotaque de Norwich em “Lutando Pela Família“, um filme baseado na história real de um clã de luta livre originário do Reino Unido. Da perspectiva de Florence, a aparência de seu corpo naquele filme era irrelevante: a questão era apenas ser forte. “E isso,” ela diz agora, “é uma coisa extremamente maravilhosa de se notar em si mesmo e com o trabalho que você está escolhendo fazer.

Agora, sentada entre os velhos hippies de Hollywood Hills, ela parece perfeitamente em casa. “Este é um cantinho bem especial,” diz ela, sorrindo. Ela está ficando na casa de amigos e está lá há algumas semanas promovendo “Adoráveis Mulheres“. Florence ficou impressionada com “a onda de amor” por “Mulherzinhas” — “porque é o livro da infância das pessoas, especialmente nos Estados Unidos.” Apenas uma semana antes, Meryl Streep — que interpreta a Tia March — realizou uma exibição privada em uma casa na Mount Olympus Drive. (“Quero dizer, os nomes,” diz Florence.) Mais do que tudo, as pessoas parecem apreciar o fato de que Florence fez Amy (como ela mesma coloca) “não ser uma idiota chorona.

A Amy de Florence é deliciosamente convicta sobre seus desejos, e na versão de Greta seu interesse próprio se torna meio que uma sensatez. (Um dos primeiros críticos observou que a performance vigorosa de Florence deu “a essa personagem uma chance de ganhar a nossa simpatia.“) A própria Florence nunca detestou Amy quando leu o livro. “Eu amo todos os personagens incrivelmente mimados,” ela me conta, “porque eles sempre representam essa voz em nossas cabeças. Amy basicamente diz tudo o que quer dizer. Ela não se importa.” Florence sorri. “Então eu estava obviamente em êxtase por interpretá-la.

O filme de Greta introduz material original no roteiro, em especial um discurso proferido por Amy em seu estúdio de pintura parisiense — uma adição de última hora que a diretora entregou a Florence 10 minutos antes de eles começarem a filmar. Diante da câmera, a garota que aspirava a ser “um ornamento para a sociedade” explica sua estratégia feminista que a princípio aparenta ser não-feminista. “Eu sou apenas uma mulher,” ela começa, “e, como uma mulher, não tenho como ganhar meu próprio dinheiro.” Suas ambições não são vãs ou venais, em outras palavras; a época em que ela vivia as tornou necessárias. “Não sente aí,” ela conclui, “e me diga que o casamento não é uma proposta econômica.

Greta me conta que tem pensado muito em Amy recentemente. Amy, ela argumenta, “quer o que quer e vai descobrir como conseguir isso. Essa é a irmã de quem não gostamos. Salvo que, por agora, parece haver meio que uma mudança: talvez não odiemos mais essa garota. Talvez vejamos que ela estava planejando alguma coisa. Estamos mais à vontade com garotas ambiciosas, talvez. O que” — Greta conclui — “me deixa um pouco esperançosa.

Fonte: Vogue.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 



Florence Pugh concedeu uma entrevista exclusiva para a série de edições digitais da Deadline dedicadas à temporada de premiações, que serão lançadas online à partir desse mês. Durante o bate-papo com Anthony D’Alessandro para a publicação voltada para a indústria do entretenimento, Florence discutiu seus mais recentes trabalhos no ano que a consagrou de vez e consolidou ainda mais sua carreira. Confira abaixo a entrevista traduzida e os scans da revista:

Florence Pugh
Como ela aprendeu a lutar fisicamente, a incorporar a insanidade atormentada pelo luto e a trazer nova profundidade a uma querida personagem literária

2019 será lembrado como o ano de Florence Pugh. Primeiro, ela mostrou sua destreza de combate em “Lutando Pela Família”, como a lutadora britânica da vida real Saraya “Paige” Knight. Em seguida, veio a angustiada e atormentada adolescente Dani no bizarro terror sueco de estilo folk de Ari Aster, “Midsommar”. E então, há o remake revisionista de Greta Gerwig de “Mulherzinhas”. Florence interpreta Amy March, a irmã privilegiada de Jo, interpretada por Saoirse Ronan. E isso não é tudo. Ela também é a assassina Yelena Belova, amiga e também rival da personagem de Scarlett Johansson, Natasha Romanoff, em “Viúva Negra” da Marvel, que estreia em maio.

Como começou essa reação em cadeia de papéis? Depois de “Lutando Pela Família”, seu colega de elenco Dwayne Johnson deu uma tonelada de telefonemas te recomendando?
Na verdade, eu fiz “Lutando Pela Família” anos atrás, quando “Lady Macbeth” estava estreando. Então, é engraçado que ele só tenha sido lançado este ano. É interessante como os filmes funcionam assim, mas esse eu fiz há cerca de dois ou três anos. As pessoas sempre ficam fascinadas em saber o motivo do sucesso repentino, mas, na verdade, eu tenho estado ocupada pelos últimos quatro anos, e todos os projetos só foram lançados agora. Dessa forma, não é necessariamente algo que aconteceu do dia para a noite para mim. Desde “Lady Macbeth” e “Lutando Pela Família”, eu venho trabalhando consecutivamente por quatro anos agora.

Qual significado o papel de Dani em “Midsommar” teve para você?
Ler um roteiro como esse e ter um diretor que quer que você seja essa personagem, é uma das melhores sensações que existem. É também uma das sensações mais apavorantes, porque eu tenho uma grande ligação com todas essas personagens que interpreto, e eu realmente sinto que, como uma atriz, é seu direito saber se esse é o seu papel ou o de outra pessoa. Eu acredito firmemente nisso. Por mais empolgante que seja ter alguém te oferecendo um papel, você tem que se certificar de que a personagem terá justiça com você a interpretando, e, caso não tenha, você precisa ser corajoso o suficiente para deixar que outra pessoa faça isso.

Quais eram as suas preocupações?
Com “Midsommar”, é o sonho de todo ator ter tanta jornada e tanto arco assim. Mas, prioritariamente, eu estava muito apreensiva, porque não suporto assistir filmes em que você pode ver que alguém não sabe como sentir algo. A coisa mais difícil de se fazer quando li a história de Dani foi que, eu estava tão consciente de que ela precisava de cada uma das emoções que estavam sendo escritas, elas não poderiam simplesmente ser fingidas, não poderiam ser imaginadas, não poderiam ser algo que você imaginava; é assim que elas me pareciam. Com toda a honestidade, eu estava com medo, porque eu nunca havia chegado perto de qualquer espécie de sofrimento como aquele em toda a minha vida. Eu não sabia como isso parecia, como isso soava, e em um filme que é fortemente baseado em torno da ansiedade e do luto, seria quase rude fazê-lo sem qualquer preparo, apenas improvisar.

Como você superou essas preocupações?
Eu tinha consciência que não sabia se tinha [a capacidade de interpretar] ela em mim, e aceitei o papel porque pensei que talvez eu tivesse, e eu fiz uma fita para o Ari, que foi uma das primeiras cenas com Christian e Dani, quando ele a manipula psicologicamente e a faz duvidar de si. Então, sim, foi complicado, e eu imaginei cada membro da minha família em um caixão, o que arrancou todos aqueles sons que vocês veem no filme de mim. Tenho certeza de que muitos atores diriam que isso é totalmente ridículo, mas, infelizmente, não consigo chorar na hora, do nada. Então, eu tive que me destruir realmente por três meses inteiros, mas fiquei feliz com o resultado. Tudo o que o público vê, é exaustivo de se assistir. Quero dizer, eu assisti o filme duas vezes e todas as vezes, no final eu me sentia como se estivesse completamente de ressaca, e meio morta. Saindo de “Midsommar”, Amy March em “Adoráveis Mulheres” foi a melhor terapia para mim. Ela foi incrível. Eu pude andar por aí em anáguas e, essencialmente, flertar com Timothée Chalamet todos os dias, e também dar pancadas e lutar com todas as irmãs. Foi ótimo.

Amy foi rejeitada pelos leitores, mas talvez tenha mais nuances no filme de Greta Gerwig.
Acho que estamos tão prontos, como pessoas modernas e mulheres modernas, que estamos tão empolgados em defender e torcer por uma mulher que diz que quer ganhar seu próprio dinheiro e não se casar. Mas, na verdade, naquela época, essa era provavelmente uma das coisas mais imprudentes e tolas que você pudesse querer e fazer. Tia March treinou Amy para planejar; se você conseguir um bom casamento, estará segura, terá filhos e seus filhos também estarão seguros. Se através do casamento você entrar para uma família rica, que tenha muito dinheiro, você está basicamente sobrevivendo; e eu acho que isso é algo do qual nos esquecemos como pessoas modernas. Durante aquele período, as mulheres não tinham nenhuma escolha. Elas não possuíam nada, não possuíam seus filhos e nem dinheiro algum. Então, na verdade, essa garota que todos nós temos detestado por tantos anos nesse livro, foi provavelmente uma das mais inteligentes também.

Greta também entregou seu discurso sobre ‘mulheres e casamento’ para que Timothée decorasse no último minuto. Houveram muitas mudanças de última hora?
O roteiro é como se fosse uma espécie de bíblia, e então se Greta tivesse algo que quisesse acrescentar, ela lhe diria de manhã. Naquele dia, obviamente, ela me entregou esse discurso enorme, e a cada cinco minutos de pausa nas gravações, eu ia para um canto, agia como se estivesse brava e o ensaiava várias vezes. Ela é muito específica e precisa com seu roteiro. Falas estarão escritas umas em cima das outras, e é esperado que você entre na exata palavra em que sua fala começa, é para ser caótico mesmo. Você não deve ouvir nenhuma espécie de anúncio de que é a sua vez de falar, e isso é obviamente a coisa mais estressante de todos os tempos, mas também é muito estimulante. Todos tinham que estar atentos às suas deixas, e prontos. Tipo, prontos de verdade.

Fonte: Deadline.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Em outubro passado, Florence Pugh e Beanie Feldstein sentaram-se frente a frente em um estúdio de Los Angeles para gravar seu episódio para a série televisiva da Variety, o programa Actors on Actors, e posaram para para as lentes do fotógrafo Art Streiber. Hoje, quase um mês após as gravações, a Variety publicou em seu site uma parte transcrita dessa conversa, realizada por Kate Aurthur. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica, as fotos promocionais do episódio, os scans da revista e o vídeo com a conversa completa entre as duas atrizes:

Florence Pugh e Beanie Feldstein sobre “Adoráveis Mulheres”, trabalhar com Greta Gerwig e “Fora de Série”
Beanie Feldstein (“Fora de Série”) e Florence Pugh (“Adoráveis Mulheres”) sentaram-se para um bate-papo para o “Variety Studio: Actors on Actors”.

Florence Pugh de “Adoráveis Mulheres” e Beanie Feldstein de “Fora de Série” se deram bem, para dizer o mínimo. A conversa das duas termina com alegres profissões de admiração: “Eu estou no paraíso,” Florence diz. “Eu estou no paraíso,” Beanie diz. “Acho que nós duas estamos no paraíso!” Florence conclui. As duas estrelas em ascensão discutem trabalhar com as diretoras Greta Gerwig e Olivia Wilde, estabelecer relações íntimas com seus colegas de elenco e como a interpretação de Amy desempenhada por Florence em “Adoráveis Mulheres” fez com que Beanie — uma superfã do clássico “Mulherzinhas” — aprendesse a amar a personagem.

Florence Pugh: O que você achou de trabalhar com Greta Gerwig?

Beanie Feldstein: Não, o que você achou de trabalhar com Greta Gerwig? E quanto a Saoirse?

Florence: Eu posso falar sobre Saoirse Ronan —

Beanie: Pelo resto da minha vida.

Florence: Pelo resto da minha vida, o dia todo, todos os dias. Greta Gerwig é uma explosão de vida; a mais peculiar, alto astral e inteligente que eu tive o prazer de conhecer.

Beanie: Ela é uma alma muito especial. É como trabalhar com alguém com quem você simultaneamente se sente tão à vontade, mas também admira muito. É uma combinação estranha de irmã mais velha e fonte de inspiração como mentora, tudo no mesmo pacote. Eu sinto que ela realmente harmonizou o elenco e a equipe de uma maneira tão bonita. Acho que Saoirse faz a mesma coisa. Eu me lembro de “Lady Bird”, parecia que ela era tanto um membro da equipe quanto era do elenco, o que foi realmente bonito.

Florence: Eu amei muito esse filme. Como foi fazê-lo?

Beanie: Eu era tão inexperiente, analisando agora. Eles foram tão legais comigo. Sou mais velha que Saoirse, mas me senti como um cervo pequeno, novo e de olhos arregalados, tipo, “Obrigada por me permitirem estar aqui, pessoal!

Florence: Te entendo completamente!

Beanie: Mas ouvi de Greta que você não era assim em “Adoráveis Mulheres”, e que você estava muito confiante — quero ouvir tudo sobre isso.

Florence: O que ela disse sobre mim?

Beanie: Ela só disse que você se sentou bastante a vontade na carruagem com Meryl Streep, muito segura de si. Eu estou, tipo: Me conte seus métodos.

Florence: Ah, não, agora minha mãe ficará envergonhada porque eu me sentei jogada em uma carruagem ao lado de Meryl Streep.

Beanie: Que segurança ela te deu.

Florence: Lembro-me que um dia Greta veio até mim e disse, “Você está, sei lá, desinteressada pelo fato de estar sentada ao lado de Meryl nesse momento?” Eu respondi, “Não, eu estou interessada. Só estou tentando não ser uma psicopata completamente louca.

Beanie: Você oscilou na direção oposta.

Florence: Algumas pessoas são mesmo muito boas em serem grandes fãs. Eu iria me envergonhar completamente se falasse algo do tipo, “eu já vi todos os trabalhos que você fez ao longo da sua carreira.

Beanie: Eu não posso evitar [de ser assim].

Florence: Mas você é assim. Eu me apaixonaria por você.

Beanie: Nós já estamos apaixonadas. Vamos nos casar.

Eu vou falar com você sobre “Adoráveis Mulheres” por muito tempo, mas acho que o que é tão incrível é que é muito mais grandioso que “Lady Bird”. É uma grande história que todo mundo conhece. Eu cresci com “Mulherzinhas”. É uma das minhas histórias favoritas do mundo. Eu sempre odiei Amy.

Florence: Sim.

Beanie: Então, senhorita, eu assisti esse filme e fiquei extremamente impressionada com o seu trabalho. Você ficou no mesmo nível de Jo, que é interpretada pela Saoirse, com quem eu sei que é difícil se igualar. Você transformou essa personagem em alguém por quem eu torcia, e a quem eu amava. Eu estava do lado dela e me perguntando o porquê de eu estar do lado dela. Você podia ver que elas realmente eram espelhos uma da outra.

Florence: Esse é um elogio incrível. Greta me disse de imediato, “Nesse filme, Amy será mais do que apenas o que ela é no livro, porque sinto como se ela não tivesse tido sua voz.” Ela é tão facilmente e rapidamente a irmã mimada. É muito fácil ler Jo como sendo essa heroína, e todo mundo quer ser a Jo. Mas acho que também há algo sendo dito por Amy, por uma garota que sabe que, naquela época, a coisa mais inteligente a se fazer é se casar por dinheiro, o que é tão estranho para nós, mulheres de hoje em dia, dizer, “isso, vai garota! Case com o homem rico!

Tenho muitas perguntas sobre “Fora de Série”. Como foi trabalhar com Olivia Wilde? Porque eu estou completamente apaixonada por ela. Pela Kaitlyn [Dever] também.

Beanie: Acho que você e Olivia se sentiriam tão atraídas uma pela outra, porque ela é tão ousada e destemida quanto você em seu trabalho, nas telas e fora delas. Quando trabalhei com Greta, me senti meio como que, “O que eu faço agora?

Então Olivia veio até mim com “Fora de Série” e eu fiquei, tipo, “É isso.” Olivia é uma diretora notável. Ela é tão inovadora e enérgica, e eu senti que acreditava tanto nela — mas fiquei realmente intimidada pela minha personagem. Acho que ela é extremamente forte. Me pergunto se você sentiu o mesmo com Amy. Ela pode ser um pouco insuportável às vezes. Então eu fiquei realmente intimidada por isso, porque estou acostumada a meio que interpretar a [personagem] meiga. Sendo assim, interpretar a personagem extremamente motivada, forte e intensa, era novidade para mim; e foi a confiança de Olivia em todos nós que acho que nos fez sair tão bem.

Para mim, trabalhar com Kaitlyn foi uma parceria verdadeiramente especial em minha vida. Nós moramos juntas enquanto estávamos gravando o filme, e assim nós estávamos sempre juntas — inseparáveis. Nós escovávamos os dentes juntas, líamos nossas falas juntas e comíamos panquecas juntas.

Florence: Quando você leu “Fora de Série” pela primeira vez, você tirou inspiração de outras comédias adolescentes?

Beanie: É tão interessante, porque Kaitlyn e eu conversamos muito sobre isso, que a maioria das lembranças que tínhamos de amizades femininas da nossa infância, vieram da TV. Como “Lizzie McGuire” e “As Visões da Raven”.

Florence: As minhas também.

Beanie: Todos os filmes eram majoritariamente protagonizados por homens. Então eu cresci citando “Meninas Malvadas” constantemente, e é maravilhoso. Olivia colocou todo o elenco e equipe para assistir “Picardias Estudantis (Fast Times at Ridgemont High)” na noite anterior ao início das filmagens. Mas para nós duas, acredito que, em termos de comédia, “Missão Madrinha de Casamento” é sempre o meu favorito.

Florence: Religião!

Beanie: Ele é a minha religião. Acho que já assisti umas 900 vezes.

Então, você fez “Midsommar” e “Adoráveis Mulheres” consecutivamente?

Florence: Eu fui para Budapeste gravar “Midsommar” por três meses, e então voei para Boston e filmei no dia seguinte — bem, fiz meu teste de maquiagem.

Beanie: Como foi isso?

Florence: Eu basicamente tive que ligar para os dois diretores [Ari Aster e Greta Gerwig] e implorar que eles ajudassem a salvar minha vida. Esse é o quão dramática eu fui. Eu me lembro de desmoronar no telefone com Greta e ela dizer, “Querida, o que aconteceu?” Eu respondi, “As gravações, não vai dar certo!” e ela disse, “Ok, bem, nós podemos tentar fazer isso funcionar.” Eu fiquei, tipo, “Ufa.

Mas tenho que dizer, Amy foi toda a terapia de que eu precisava. Foi perfeito. Foi como se eu pudesse ser essa criança por três meses, e eu não tinha que pensar em flores, ou em ter um colapso mental, ou em um campo. Eu segui em frente imediatamente.

Beanie: Gosto da maneira como Greta e Olivia capturam o espaço entre as mulheres. Acho que esse é realmente o dom delas. Não se trata apenas das personagens individuais que ambas escrevem, mas também da energia e do amor entre elas. Eu acho que isso é tão lindamente personificado em “Adoráveis Mulheres”. Como foi trazer essa irmandade à vida dessa maneira?

Florence: Foi bem similar ao que você estava dizendo sobre Kaitlyn — ela precisava estar lá. Acho que toda a coisa sobre irmãos, é que vocês estão juntos o tempo todo. Vocês estão trocando tapas o tempo todo, vocês estão se beijando e amando uns aos outros. E depois vocês se odeiam e entram em uma discussão sobre a lavagem da louça, e porque alguém não colocou o lixo para fora. Mas então você ficará acordado(a) e fará o dever de casa com eles. Desde o princípio, Greta disse, “Eu quero que isso seja uma bagunça o tempo inteiro. Eu quero que a casa seja uma confusão.

Eu pude virar melhor amiga das garotas mais incríveis. Saoirse, Eliza [Scanlen] e eu estávamos todas morando em uma casa antiga que já serviu de garagem para carruagens, e Emma [Watson] estava alojada no fim fim da rua. Todas nós fazíamos jantares, festas do pijama e tudo isso. O que você viu nas câmeras, foi tudo bem real.

Beanie: Você realmente pode sentir isso. Como é estar no filme “Viúva Negra”?

Florence: Foi a experiência mais bizarra, louca e espetaculosa. Quero dizer, o fato de eu ter tido a oportunidade de fazer um filme com Scarlett Johansson foi realmente mágico. E a diretora mais encantadora e acolhedora, Cate Shortland, fez dessa uma experiência única e especial.

Acho que nós fizemos algo bastante cru, doloroso e bonito. Acho que as pessoas ficarão realmente surpresas com o resultado de um grande filme de ação tendo tanta emoção. Foi especial aprender com a Scarlett. E eu sei que muitas pessoas obviamente ficarão emocionadas com ela, devido a sua personagem ter tido um fim tão terrível.

Beanie: Eu me sinto sortuda por estar viva em uma época na qual ganho um filme de Florence Pugh todos os anos. Estou no paraíso agora.

Fonte: Variety.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 

 



Florence Pugh e sua colega de elenco em “Adoráveis Mulheres“, Saoirse Ronan, posaram para as lentes do fotógrafo Jay L. Clendenin em um ensaio exclusivo para o Los Angeles Times. As atrizes também foram entrevistadas por Amy Kaufman para a publicação e abordaram a nova releitura cinematográfica do clássico de Louisa May Alcott, bem como suas personagens, sua relação com seus colegas de elenco e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida e as fotos da sessão fotográfica divulgadas:

Como Saoirse Ronan e Florence Pugh atualizaram “Adoráveis Mulheres” para feministas modernas

Florence Pugh está passando rapidamente o dedo indicador por ser iPhone, procurando por Pam.

Espere aí, espere aí,” diz ela. “Eu vou achar. Cadê a Pam? Oh, isso está me matando.

Pam não é o nome do amado cão da atriz, ou mesmo de uma das suas duas irmãs. Pam é o nome que Florence atribuiu à sua colega de elenco, Saoirse Ronan, no set da próxima adaptação de “Mulherzinhas“, de Greta Gerwig.

Florence agraciou Saoirse com o alter-ego após filmar uma das cenas mais memoráveis do romance clássico de Louisa May Alcott: quando Jo March (Saoirse) revela que cortou em segredo suas longas tranças. Suas três irmãs ficam horrorizadas — “Oh, Jo, como você pôde? Sua única e verdadeira beleza!” clama Amy (Florence), a mais nova das irmãs — mesmo apesar de Jo ter sacrificado o cabelo para arrecadar dinheiro para a recuperação de seu pai doente.

Entra Pam. Quando começou a filmar, Saoirse tinha mechas loiras lustrosas que cacheavam quase até sua cintura. Após o corte de cabelo, no entanto, ela foi forçada a usar uma peruca desagradável: é quase um mullet, mas mais felpudo e com uma vibe despenteada meio Owen Wilson.

E foi aí que Flo apareceu com essa personagem chamada Pam, lembra Saoirse, 25 anos. “Pam é da Austrália, e tem muitas opiniões sobre tudo que está acontecendo.

Ela tricota entre as cenas,” diz Florence, 23 anos, de repente soando como se fosse de Melbourne ao invés de Oxfordshire. “Saoirse sentava com seus chinelos Ugg, cruzando os pés entre as gravações, com esse visual ridículo, e era muito louco.

Ela continua a percorrer por suas fotografias, buscando freneticamente provas de Pam e pausando apenas para morder alguns pedaços de seu croissant de chocolate. Saoirse senta-se de frente para sua colega de elenco no Chateau Marmont, e após pedir uma massa para ela, começa devidamente a responder a maioria das perguntas sobre “Adoráveis Mulheres.”

Com estreia marcada para o Dia e Natal e já gerando burburinhos ensurdecedores de apostas para a temporada de premiações, esse é a sétima versão em longa-metragem do romance de 1868 de Alcott. Ao contrário de seus predecessores, Greta Gerwig — que escreveu e dirigiu o projeto — adotou uma abordagem não-linear da história, visualizando os dias formativos da infância das irmãs March em Concord, Massachusetts, através das lentes da vida adulta.

Enquanto todas as quatro irmãs seguem caminhos decididamente distintos ao passo que amadurecem — Jo deseja desafiar as convenções sociais permanecendo solteira; Meg não quer nada além de encontrar um marido e ter filhos — a adaptação de Greta tenta tratar todas as escolhas delas com respeito.

(…)

As quatro garotas que conduzem essa história são todas muito, muito diferentes, e todas elas permitem que uma garotinha se enxergue nelas,” Saoirse, que se junta também a Emma Watson (Meg) e Eliza Scanlen (Beth) no filme, continua. “‘Adoráveis Mulheres’ te dá a oportunidade de se identificar com aspectos de todas essas garotas, porque todas elas têm idades diferentes e querem coisas diferentes. Isso quer dizer que você pode crescer com a história e dizer —

Saoirse é interrompida quando Florence, tendo finalmente localizado a foto que estava procurando, mostra animadamente seu telefone.

Ah, você só quer mostrar a Pam,” diz Saoirse, rindo. “Você não está nem aí.

Eu estou sim,” diz Florence. “Mas, você está preparada para a Pam?

É fácil, nesse momento, entender por que Greta escalou as duas atrizes para seus respectivos papéis. (…) Florence é basicamente uma novata em Hollywood — acumulando créditos em um ritmo acelerado e ainda assim relativamente desprevenido. Seu primeiro papel de destaque, na adaptação britânica de 2016 de “Lady Macbeth,” acabou lhe rendendo uma indicação ao BAFTA e, pouco depois, ela conquistou o papel principal no filme de luta livre produzido por Dwayne Johnson, “Lutando Pela Família.” Ela estava prestes a viajar para filmar o suspense “Midsommar” quando Greta estava montando “Adoráveis Mulheres” e gravou-se fazendo um teste, a pedido da diretora.

Nós queríamos algo que pudéssemos apresentar a todos, porque ela é menos conhecida,” diz Greta. “Eu precisava que ela estivesse na mesma faixa de peso que a Saoirse — alguém que realmente pudesse ser igualmente formidável. E ela era essa pessoa. Eu mudei a data das filmagens por ela, porque eu queria muito que ela estivesse no filme.

Na última grande adaptação de “Mulherzinhas” — a versão de 1994 de Gillian Armstrong, profundamente querida pelos milenares — Amy foi interpretada por duas atrizes: Kirsten Dunst quando menina e Samantha Mathis quando mulher. Mas Robin Swicord, que escreveu essa versão do filme e atuou como produtor na iteração de Greta, disse que a Sony/Columbia Pictures estava “procurando uma ruptura clara da versão dos anos 90.

Nós dissemos: ‘Fazem 25 anos, e nós achamos justo que a nova geração tenha suas próprias ‘Adoráveis Mulheres’,’” Swicord diz. “Queríamos nos certificar de que estávamos fazendo algo que fosse bem diferente. Com Amy, em minha versão, nós sentíamos que ela era uma garotinha andando com todos os seus malapropismos, e nós não conseguíamos envolver nossos cérebros ao redor do salto no tempo. Mas por Greta ter focado bastante na vida adulta [das meninas] e mostrado a infância em reminiscência, você não questiona isso.

Saoirse diz que “cresceu” com essa versão do filme, mas Florence estava mais familiarizada com o livro de Alcott. Sua avó o lia para ela todo fim de semana, criando vozes únicas para todos os personagens.

Ela odiava a Amy,” diz Florence. “Ela sempre dizia, ‘Que garota mais malvada!’ É tão fácil amar a Jo, porque ela representa tudo o que nós queremos ser. Ela tem voz, e vai a luta e não liga para nada. Mas lendo o livro novamente, mais velha, eu percebi que cada coisa que a Amy diz é perfeita. Eu amo uma pessoa travessa em um livro. Ver alguém criar caos é a minha coisa favorita. Todas nós queremos ser a Jo, mas, realisticamente, definitivamente acho que, provavelmente, há mais de mim em Amy.

Greta teoriza que Amy há muito tempo recebe “pouca atenção” do público, que frequentemente se concentra em sua vaidade. Sendo uma garota, Amy tenta moldar seu nariz para que ele tenha outro formato, e ela é franca quanto ao seu desejo de casar com um homem rico e ter coisas boas. Enquanto isso, Jo rejeita de maneira terrível um pedido de casamento vindo de um rico e bonito pretendente — Laurie, interpretado no novo filme por Timothée Chalamet — e está mais interessada em se tornar uma grande escritora do que centralizar sua vida ao redor de um homem.

Mas eu acho que Amy tem muito mais profundidade do que as pessoas lhe atribuem,” diz Greta. “E em termos de feminilidade, nenhuma delas é feminina no sentido de ter isso se fundindo com suas identidades. Ambas são masculinas. Jo quer ser um garoto, e Amy performa feminilidade porque lhe é conveniente que as pessoas consigam o que querem.

É assim que Swicord vê as personagens também. No roteiro de Greta, o produtor diz, ela enxerga Amy como uma “pessoa prática lidando com o mundo que herdou” — um mundo no qual ela está apenas tentando crescer e encontrar sua própria identidade fora da sombra de sua poderosa e criativa irmã mais velha.

(…)

Em Concord, o elenco chegou duas semanas antes do início das filmagens para ensaiar, primeiro pesquisando o movimento transcendentalista e então trabalhando juntos nos diálogos. Greta escreveu o roteiro de maneira ultra-específica, com muitas linhas de diálogo sobrepostas para que fossem lidas uma sobre as outras. Era como estar em uma “banda de cinco pessoas,” diz Saoirse, com cada um tocando um instrumento diferente. “Foi por isso que nós acabamos ficando tão próximos, eu acho, porque nós contávamos uns com os outros e confiávamos um nos outros mais do que em um filme normal, em que você espera alguém dizer sua fala,” diz ela. “Nós sabíamos qual era o nosso papel e tínhamos que estar focados.

Florence, no entanto — ainda em meio as filmagens de “Midsommar” — foi o único membro do elenco que teve que pular o período de ensaios. Embora a diretora enviasse a ela áudios gravados contendo o dia de trabalho para que ela não se sentisse de fora, Florence acabou sentindo que a separação do elenco foi útil.

No começo nós ficávamos tipo, ‘Ah, Deus, ela não vai estar aqui,’ e parecia que todos nós precisávamos estar juntos,” diz Saoirse. “Mas, na verdade, você disse isso quando chegou a Concord, Flo — Amy está meio que seguindo seu próprio caminho. Amy e Jo são bem parecidas, na verdade, no sentido de que Jo é meio ‘Eu vou fazer isso.’ E Amy é, meio, ‘Você que se dane, eu vou fazer isso.’ Elas querem coisas diferentes, mas ambas são muito desafiadoras em espírito.

Ambas tem personalidades muito teimosas,” Florence acrescenta. “Mas eu não acho que elas sejam inimigas ou rivais.

Eu acho que uma é tão feminista quanto a outra,” continua Saoirse, “porque ambas sabem o que querem e sustentam isso.

Fora das telas, o jovem elenco desenvolveu um vínculo de irmandade também. Depois de uma semana desvendando o filme para a imprensa e membros da guilda em L.A., Florence diz que mandou um vídeo para Eliza — que não poderia estar na cidade devido a um conflito de trabalho — dizendo a ela para “não ficar com FOMO,” ou receio de perder [a experiência]. E embora Florence diga que ainda tem que pedir a Saoirse um resumo da temporada de premiações, a atriz mais velha diz que está orgulhosa assistindo Florence navegar pelo turbilhão da atenção midiática.

Quero dizer, não penso em você como sendo, tipo, nova no ramo ou o que quer que seja,” diz Saoirse. “Mas o que é empolgante em assistir você fazer isso, Flo, é que eu não acho que alguém tenha visto você assim antes. Ela está tão engraçada nesse filme, e as pessoas ainda não viram isso.

Não, não, elas não viram,” Florence concorda. “Acho que as pessoas estão reagindo [positivamente] porque é algo tão diferente — elas pensam, ‘O quê?! Você consegue fazer uma criança agora?’ Nenhum filme meu foi feito para esse mesmo tipo de público.

Tem sido muito bom ter você lá durante esses painéis de perguntas e respostas,” diz Saoirse. “E a questão sobre [esse filme] é, meus amigos têm me perguntado: ‘Você acha que “Adoráveis Mulheres” vai chegar à temporada de premiações?’ E eu digo a eles, ‘Sabe, você não tem mesmo como prever.’ Nós só temos que estar lá juntos e dizer: ‘Até então, tem sido ótimo.’”

Fonte: Los Angeles Times.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Para comemorar o lançamento de “Adoráveis Mulheres“, Florence Pugh foi entrevistada junto com suas colegas de elenco (Emma Watson, Saoirse Ronan e Eliza Scanlen) por Greta Gerwig para a edição inglesa de dezembro da revista Empire. As atrizes falaram sobre o filme, suas personagens, lembranças do set e muito mais. Confira abaixo os trechos da entrevista com as respostas de Florence traduzidas e os scans da revista:

Irmandade
O segundo filme de Greta Gerwig como roteirista e diretora é a sua versão fervorosamente aguardada do clássico literário “Mulherzinhas”. Para comemorar sua chegada, pedimos a Greta que entrevistasse as quatro estrelas que interpretam as Irmãs March. A conversa resultante é exatamente tão brilhante quanto você poderia esperar

Greta Gerwig: Como você descreveria “Adoráveis Mulheres” a alguém que acabou de chegar de outro planeta? Suponha que você não precise explicar o que irmãs ou família são, mas que elas não saibam nada além disso.
Florence Pugh (Amy March):
Há quatro irmãs e cada uma delas é incrivelmente diferente. Objetivos diferentes, interesses diferentes, jornadas diferentes. Apesar disso, todas elas amam e respeitam o fato de que têm essa vida vibrante e animada em casa. Elas brigam, trocam tapas, se beijam e se confortam. E assim sucessivamente.

Greta: Qual das irmãs March teria maior probabilidade de cometer um crime e por quê? Não um crime violento, necessariamente, talvez desvio, fraude postal ou algo assim? Qual irmã, o que ela fez? Defenda seu raciocínio.
Florence:
Amy, definitivamente. Amy cometeria um crime conscientemente, no entanto, Beth poderia cometer um crime acidentalmente. Por exemplo, Beth poderia deixar os correios com um selo postal em sua mão e só perceber quando chegasse em casa. Amy iria se envolver com falsificação: ela provavelmente até alegaria que suas habilidades artísticas estavam finalmente sendo usadas!

Greta: Cada uma de vocês está brilhante e perfeita no filme, mas, por favor, escrevam sobre um momento no set no qual vocês pensaram, ‘Droga! Não sei se fiz direito!’ e agora isso assombra seus sonhos. (OBS: como diretora e roteirista, isso acontece comigo literalmente todos os dias, saibam disso.)
Florence:
A cena em que Laurie [Timothée Chalamet] encontra Amy do lado de fora da enorme casa de campo após saber da morte de Beth. Aquele dia foi tão intenso e cheio que, quando nós chegamos a essa última cena, meu cérebro estava uma papa, e então, de repente, durante uma tomada, uma nuvem negra gigantesca apareceu e basicamente começou uma tempestade de vento, fazendo as folhas voarem furiosamente de um lado para o outro. Eu estava tão derrotada que pensei, ‘Bem, essa é a maneira da Terra de rir.’

Greta: Por outro lado, contem-se sobre um momento em que vocês pensaram ‘Acertei em cheio!’ Ou, se vocês forem modestas demais para declarar vitória, relatem algo que foi absurdamente divertido de se filmar ou ensaiar.
Florence:
Não acho que houve um momento específico no qual eu senti, ‘Arrasei!‘ No entanto, eu amava qualquer cena em que Amy fosse irritante, atrevida e deliciosamente engenhosa! Dar pulinhos por aí em anáguas e combinações repletas de babados e irritar a Saoirse em cena foram definitivamente os melhores dias.

Greta: O que a sua personagem estaria fazendo se estivesse viva hoje? Quero dizer, não como se elas tivessem 200 anos de idade, mas se tivessem nascido na década de 1990, como todas vocês, jovens. Eliza, você também! Se Beth estivesse por aqui hoje em dia ela teria sido curada da escarlatina, então você estaria se misturando com suas irmãs, tocando piano e essas coisas. Então, o que todas vocês acham? Quem as irmãs March seriam agora?
Florence:
Suponho que Amy seria totalmente aterrorizante e surpreenderia a todos da mesma maneira que ela faz no livro. Ela ainda estudaria artes, até mesmo cerâmica. Eu definitivamente acho que ela estaria em algum cargo de chefia e se sentiria empoderada por ganhar seu próprio dinheiro. Ela brincaria do jogo de girar a garrafa e saberia todas as regras e como burlá-las. Ela odiaria Monopoly porque Jo ganharia sempre. Ela amaria e provocaria Beth por suas péssimas escolhas de sapatos e sempre ligaria para Meg, onde quer que ela estivesse no mundo, para explicar nos mínimos detalhes o ‘seu’ lado de qualquer história, sabendo que Meg eventualmente concordaria [com ela].

Greta: Qual foi a maior diferença entre vocês e a irmã que vocês interpretaram?
Florence:
Eu jamais poderia ser tão honestamente direta e franca ou tão maldosa quanto Amy. Por mais que eu ame seu poder e sua maneira de falar, eu acharia difícil fazer as pessoas se sentirem mal — mesmo que fosse a verdade (o que é o mantra da Amy).

Greta: E qual foi a maior semelhança?
Florence:
Sua empolgação pela vida e sua criatividade. Sua honestidade com seus sentimentos. A habilidade de Amy de rir apaixonadamente e chorar apaixonadamente, tudo nos mesmos dez minutos. Seu completo e total amor por suas irmãs — eu tenho isso aos montes também.

Greta: Qual é o seu palavrão favorito de “Adoráveis Mulheres”? (Como ‘capital!’ [inútil], ‘Cristóvão Colombo!’ [babaca e/ou imbecil], ‘minxes!’ [sirigaita, atrevida, maquiavélica]) Por favor, use-o em uma frase moderna, de uma maneira que escandalizaria a Tia March.
Florence:
‘Vou tomar uma xícara de chá e não vou colocar o pires embaixo porque eu sou completamente maquiavélica.’

Greta: Qual é o sentido das anáguas de arame? Não, sério, para que servem os aros? Para criar um perímetro definido? Porque mulheres que parecem com sinos são sexies? Se vocês não souberem, por favor, inventem algo divertido.
Florence:
O objetivo das anáguas de arame é acentuar a metade inferior do corpo de uma mulher porque isso faz (eu acho) com que seus quadris pareçam maiores e mais atraentes para abrigar bebês. É por isso que você tem um espartilho para diminuir a sua cintura e aros para alargar seus quadris. Criando uma ilusão extremamente sexy.

Greta: O que vocês aprenderam ao fazer o filme ou com a irmã que vocês interpretaram e que levarão consigo para as suas vidas reais?
Florence:
Não faz mal nenhum ser honesto, mas saiba quando parar. Não faz mal nenhum ser corajoso, mas saiba que você pode ser fraco também. Não há problema em perceber que você quer algo diferente e tudo bem ser egoísta uma vez que você descobriu isso.

Fonte: Empire Uk.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Em nova entrevista ao Den of Geek, a atriz britânica Florence Pugh refletiu sobre todo o ódio que sua personagem em “Adoráveis Mulheres” vem recebendo ao longo da história e saiu em sua defesa, além de abordar a dinâmica de Amy com sua irmã mais velha, Jo, e Laurie. Confira abaixo a entrevista traduzida:

“Adoráveis Mulheres”: Florence Pugh Sai Em Defesa De Amy March
Florence Pugh pondera o porquê de algumas pessoas odiarem injustamente Amy March… e entrar em um triângulo com Timothée Chalamet e Saoirse Ronan.

Florence Pugh tem uma tarefa pouco invejável à medida que “Adoráveis Mulheres” se aproxima. Ainda que o filme dirigido por Greta Gerwig marque uma oportunidade incrível para a jovem atriz, que já está tendo um ano excepcional com filmes como “Midsommar” e “Lutando Pela Família“, remanesce o fato de que ela está interpretando Amy March. Além de ser a caçula de quatro irmãs, começar a história como uma criança e terminá-la como uma jovem mulher, ela também é uma personagem que é bastante contrária à sua irmã mais velha, Jo (Saoirse Ronan). Ela também disputa os afetos do melhor amigo de Jo, Theodore Laurence (Timothée Chalamet), o Laurie.

Florence Pugh está ciente do desafio.

Sim, eu tive que interpretar uma personagem que todo mundo odeia, essencialmente, essa é a verdade,” Florence ri quando a encontramos no início desse mês para o lançamento do Blu-ray de “Midsommar“. “Acho que Amy teve uma infância difícil, e eu acho que a coisa certa que sempre amei nas crianças é que elas não sabem como se expressar. Acho que algo que é tão fascinante sobre assistir uma criança, seja em um churrasco ou quando você está colocando um bebê na cama, é que elas não sabem como conversar e não sabem como expressar essa grande raiva ou essa grande chateação.

Na opinião de Florence, essa inabilidade de expressar suas decepções ou até mesmo queixas justificadas é o motivo de Amy ter uma má reputação entre muitos leitores de “Mulherzinhas“.

Amy está naquela doce fase de ser quase uma adulta, mas também ainda ser uma criança, e ela não sabe como lidar com isso. E ela também é muito sincera e bastante direta. Eu acho que essa é a coisa mais legal e fofa das crianças; elas podem te dizer o quão feio você está, ou até mesmo o quanto você engordou no natal, e elas simplesmente dizem essas coisas como se fossem fatos, e você sabe que são… Ela não está errada, ela apenas não sabe como dizer essas coisas ainda.

Porém, na nova visão de “Mulherzinhas” de Greta, Amy está tendo sua perspectiva exibida. O amado romance de Louisa May Alcott, que teve sua primeira edição publicada em 1868, contou a história das quatro irmãs March crescendo durante a Guerra Civil e, mais à frente, quando elas entram na vida adulta. A maioria dos filmes — incluindo a popular adaptação de 1994, onde Amy foi interpretada por Kirsten Dunst aos 12 anos e por Samantha Mathis aos 16 — geralmente se concentra nos primeiros anos, em que o público adota o viés de Jo.

No entanto, o novo filme deve se concentrar da mesma forma, se não mais, na segunda metade da história, com uma forte ênfase em Amy saindo pelo mundo como companheira da tia-avó March (Meryl Streep). Também terá que convencer os fãs de Saoirse Ronan e Timothée Chalamet de que não há problema em querer que Laurie termine como uma irmã March diferente.

Florence diz, “Eu acho que há algo que Saoirse e Timmy fazem tão bem, até mesmo nessa… grande discussão em que Laurie e Jo finalmente colocam tudo para fora, e ele diz que a ama e ela diz a ele que não sente o mesmo. Na minha opinião, o melhor é que Saoirse e Timmy têm essa química única de irmãos de qualquer forma, e ela está presente aos montes.” Para Florence, seus colegas de elenco deixam bastante óbvio que Jo e Laurie não foram feitos para ficarem juntos e que Jo não pode amá-lo dessa forma.

… Florence então acrescenta, “E é claro que Amy sempre levará a culpa, porque ‘ela tomou ele dela,’ mas eu espero que as pessoas vejam o amor que Laurie e Amy têm um pelo outro também.

Para uma certa variedade de leitores de “Mulherzinhas“, esse é um pedido complicado, mas, considerando o quão positivas têm sido as primeiras reações à peça de época dirigida por Greta, parece que Amy talvez não precise ser defendida tão eloquentemente por muito mais tempo.

Fonte: Den of Geek.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Em uma entrevista exclusiva ao site Den of Geeks, Florence Pugh discutiu seu ingresso no Universo Marvel, os treinamentos necessários para trazer Yelena Belova à vida, acrobacias, coreografias de luta e muito mais sobre o próximo e aguardado lançamento da Marvel Studios: “Viúva Negra“. Confira abaixo a entrevista traduzida:

“Viúva Negra”: como Florence Pugh se juntou ao Universo Cinematográfico da Marvel
Florence Pugh nos fala sobre interpretar a “irmã” de Scarlett Johansson em “Viúva Negra” e o treinamento necessário para ingressar no Universo Marvel.

Florence Pugh descobriu que adorava o trabalho acrobático e as coreografias de luta enquanto interpretava a lutadora da vida real, Paige, em “Lutando Pela Família“, que estreou este ano. Mas é seguro dizer que aparecer como Yelena Belova, a “irmã mais nova” da super-heroína de Scarlett Johansson em “Viúva Negra“, levou as coisas a outro nível.

Essa foi a parte mais legal de fazer esse filme,” Florence diz. “A parte acrobática contava com essas duas assassinas que precisavam se mover incrivelmente e precisavam lutar uma contra a outra.

Quando nos sentamos para conversar com Florence, ela está no meio de um grande ano. Estamos falando com ela após um marco estelar no ensolarado filme de terror de Ari Aster e da A24, “Midsommar“, mas só em 2019 ela também apareceu naquele filme de luta-livre mencionado anteriormente e ainda tem “Adoráveis Mulheres“, de Greta Gerwig, chegando em dezembro. Ela considera cada experiência uma oportunidade única de interpretar uma persona diferente e ímpar. Mas ingressar na Marvel Studios realmente é como entrar em um novo universo, dada o quão sofisticada e consagrada essa franquia hidra de múltiplas camadas se tornou.

‘Viúva Negra’ é outra grande coisa incrível na qual eu consegui colocar as minhas mãos, o que é completamente louco,” diz Florence. “Eu tive um verão tão maravilhoso com a Scarlett abrindo os meus olhos para todo esse universo… nós nos divertimos tanto filmando esse projeto e me pareceu muito natural estar abusando [da boa vontade] dela e a amando, tudo na mesma frase.

Ela continua, sugerindo que Yelena e a Natasha Romanoff de Scarlett têm um laço tão forte quanto o de sangue, após ambas crescerem na Academia Sala Vermelha, na Mãe Rússia. No entanto, isso não significa que elas não terão problemas.

Florence diz, “Elas certamente têm um relacionamento fraterno. Elas compartilham da mesma dor, compartilham os mesmos conflitos; irritam uma a outra, se amam; se portam do mesmo jeito; elas certamente se completam muito bem.

Quanto a gravar um filme da Marvel em si, Florence considera isso um daqueles “momentos me belisque” na vida em que ela pode ser grata por passar um verão inteiro mergulhando na fisicalidade de como os super-heróis são feitos. Isso inclui algumas acrobacias rigorosas e preparação para combate, como vimos nas cenas chocantes exibidas na San Diego Comic-Con, no início desse ano, que mostravam Natasha e Yelena apontando armas uma para a outra e então regredindo para socos em uma cena de luta que não pareceria deslocada em um filme do Jason Bourne.

O mais legal para mim foi que eles estavam super de acordo com você fazer o quanto do trabalho acrobático que quisesse, Florence explica. “Eu sabia que adorava tudo isso desde ‘Lutando Pela Família’, então assim que cheguei ao set [na época dos ensaios], fui imediatamente aprender com todos aqueles dublês incríveis. Basicamente, é o trabalho deles te ensinar a ser o melhor… todas essas pessoas únicas que vieram de todo o mundo, que sabem lutar kickboxing, ou que tem como habilidade luta com facas, e isso é bizarro e único.

Ela continua, “Então fiquei no galpão [de treinamento] por cerca de um mês, absorvendo tudo o que eu precisava, e, aí, fui levando. É um trabalho bastante árduo, mas, no fim das contas, eles permitem que você faça o quanto você quiser… e eles ficam extremamente felizes mesmo se você só quiser dar um salto estrela, mais ainda se você quiser se envolver com a [parte física da] luta.

Imaginamos que Yelena causará uma grande impressão quando ela mais do que se defender contra sua irmã em “Viúva Negra“, em maio.

Fonte: Den of Geek.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Florence Pugh concedeu uma entrevista exclusiva para a Entertainment Weekly a respeito do filme “Adoráveis Mulheres“. No bate-papo com a EW, Florence conversou sobre a nova abordagem de Amy segundo a visão de Greta Gerwig, o estilo da diretora, seu relacionamento com seus colegas de elenco e, como era de se esperar, como foi contracenar com a lenda do cinema, Meryl Streep. A entrevista foi realizada por David Canfield e fará parte da edição de novembro da publicação. Confira abaixo o artigo disponibilizado no site da EW traduzido e os scans da revista:

Florence Pugh sobre o que faz de “Adoráveis Mulheres” tão incrível: ‘Eles comem o tempo todo’
Florence é a revelação que rouba a cena em “Adoráveis Mulheres”, que oferece uma visão mais profunda e detalhada de Amy March do que qualquer adaptação anterior.

Florence Pugh, 23 anos, é um deleite cômico como Amy March, que encontra uma nova vida na adaptação de Greta Gerwig do clássico “Mulherzinhas“. Como parte da nossa reportagem de capa da edição de novembro, estrelada por Timothée Chalamet e Saoirse Ronan, conversamos com a estrela de “Midsommar” sobre entender Amy, trabalhar com Greta, e mais.

ENTERTAINMENT WEEKLY: Amy nem sempre é a irmã March mais popular. Como você se sentiu inicialmente em aceitar o papel?
FLORENCE PUGH:
Eu nunca desgostei dela, então acho muito engraçado que as pessoas fiquem meio, “Ai meu Deus, você está interpretando a pior irmã de todos os tempos!” Presumo que haja algo sobre eu interpretar ela. [Risos] Me lembro de sempre gostar de uma criança mimada, seja em livros ou filmes, porque todos nós conhecemos alguém assim. Elas sempre representam o pior e o melhor lado de todos nós. Há algo muito cativante em alguém que simplesmente fala exatamente o que pensa. Eu colocando meus dedinhos em ambas as versões infantil e adulta [de Amy], foi algo como, “Ai meu Deus, o que vai acontecer?” [Risos]

EW: Amy e seu relacionamento com Jo ganham muito mais foco nessa versão. Como você e Greta abordaram isso?
FP:
Eu posso imaginar que as pessoas a odeiem porque ela nunca teve realmente o suporte necessário. Você nunca entende efetivamente o porquê dela e Laurie terem ficado juntos; você queria que fossem Jo e Laurie, então realmente não faz muito sentido. De acordo com os contos de fada, esse não é o caminho ideal: permitir que a irmã mimada ganhe o garoto. Dito isso, eu entendo a razão de ela ser uma personagem frustrante [aos olhos do público]. Mas, desde o momento em que consegui esse trabalho, sempre foi deixado muito claro que todo o elenco teria igual importância na história e Greta queria muito contar a história dessas meninas, não apenas um arco [dela]. Quando chegamos ao set e começamos a trabalhar juntos, descobrimos nossas próprias dinâmicas… Formamos nossas próprias amizades, de qualquer forma. Foi muito fácil transformar isso em realidade [para Amy]. Ela merecia um pouco de atenção e eu espero que as pessoas a vejam e pensem, “Entendi. Eu entendo ela agora.

EW: Você, Saoirse Ronan, Emma Watson e Eliza Scanlen realmente parecem irmãs. Vocês criaram um vínculo fora do set de filmagens?
FP:
Nós não estávamos fingindo em nenhuma daquelas lutas, discussões ou demonstrações de amor. Nós vivíamos juntas; quando cheguei lá, tivemos que nos apressar e conhecer uma a outra muito rapidamente. Isso, para mim, foi fácil porque todas nós nos entendíamos e tínhamos o mesmo senso de humor. Nós nos reuníamos para jantar: toda semana tentávamos fazer um jantar e ter meio que um anoitecer de marasmo. Naquela época, o tempo estava começando a ficar frio e aconchegante, então todas nós fazíamos quentão e cozinhávamos pratos à bolonhesa. Foi muito idílico.

EW: Você e Saoirse chegam às vidas de fato, também.
FP:
[Risos] Saoirse e eu trocávamos olhares engraçados, e isso significava, “Vamos brigar.” De maneira clássica, estaríamos lutando ou irritando uma a outra de brincadeira — tudo isso era completamente real, ao ponto em que, durante uma briga, me lembro de ter falado algo como, “Saoirse, apenas pule em mim e me bata!” E ela respondeu, “Ok!” Isso foi muito divertido e só pode acontecer quando você ama e confia em alguém. E nós nos amávamos e confiávamos uma na outra de verdade.

EW: Como foi entrar na personagem como Amy no set de filmagens e recriar tantas cenas icônicas?
FP:
Aqui vai uma coisinha: eu literalmente tinha acabado de encerrar “Midsommar“, que, de uma maneira gloriosa e colorida, é macabro. Obviamente você pode imaginar a exaustão em que minha cabeça se encontrava quando eu terminei [esse projeto]. Fui direto daquele set para Boston para fazer meus testes de cabelo e maquiagem para “Adoráveis Mulheres“. Eu não poderia agradecer Amy o suficiente por essa oportunidade. Ela é tão divertida e jovem. [Risos] Foi uma maneira muito legal de seguir em frente e desapegar [de “Midsommar“]. Greta realmente me deixou aproveitar isso. Acho que toda cena em que todas as garotas estão presentes — só para você saber, no roteiro, há cerca de quatro falas que estão escritas umas sobre as outras. É meio que como música, como uma partitura musical. É assim que Greta escreve, especificamente. Ela espera que você diga sua fala e que você o faça exatamente como está na página. Então você acaba criando essa cacofonia de ruídos e sons. Essa foi a coisa mais fascinante sobre a maneira como Greta dirigiu. É tudo muito musical. Cada cena na qual eu podia… só falar um monte de besteiras para Saoirse, Emma ou Eliza, era uma felicidade absoluta. Eu adoro ser impulsiva e desenfreada [em cena]. Sendo esta garotinha irreverente e atrevida, amo a cena em que chego e peço desculpas a Jo. Na verdade, essa foi uma das cenas presentes nas minhas fitas de audição. Eu a amei quando fiz pela primeira vez, e quando nós a encenamos no set, foi brilhante. Ela é tão insensível.

EW: Que aspecto da visão específica de Greta te atraiu tanto?
FP:
A coisa que mais chamou a minha atenção na versão de Greta foi que essas meninas são tão atrevidas e travessas, elas são as melhores e piores irmãs, elas batem umas nas outras, elas amam umas as outras e elas comem o tempo todo. Isso fez delas normais, as fez respirar, tornou-as vivas. No fim das contas, o que todo mundo está tentando dizer com “Adoráveis Mulheres” é que só porque elas estão usando aquelas roupas e dizem aquelas coisas, não significa que elas não sejam completamente irreverentes e deliciosas no fundo, e tão normais quanto as garotas de hoje em dia com 10, 11, 12, 13 anos são. Isso foi o que Greta fez tão bem.

EW: Você também pôde contracenar bastante com Meryl Streep (como Tia March). Você se sentiu intimidada?
FP:
Estranhamente, não. Quero dizer, sim, obviamente. Mas quando você está com alguém que, só de respirar te deixa hipnotizado, você se sente em paz. Não importa o que você faça; eles estão lá, e farão com que tudo seja magnífico todas as vezes. Não há nada melhor do que atuar com alguém que é incrível. Isso faz você se sentir incrível. Essa é a melhor maneira de resumir como é atuar em uma cena com Meryl Streep. [Risos]

EW: Por que “Adoráveis Mulheres” é uma história importante de se contar em 2019?
FP:
Toda geração precisa disso. Eu não acho que um dia deixaremos de precisar de uma história sobre quatro mulheres que se passa em uma época em que lhes era dito que não podiam fazer as coisas e, ainda assim, elas as faziam.

Fonte: Entertainment Weekly.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



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