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O livro oficial do filme “Viúva Negra“, a ser lançado pela Marvel, finalmente ganhou uma data prevista para chegar às prateleiras mundo afora: o lançamento está inicialmente marcado para o dia 6 de outubro de 2020, com a pré-venda provavelmente se iniciando em uma data próxima!

O especial, que se trata de um guia completo do filme; incluindo entrevistas inéditas com o elenco e a equipe, irá proporcionar ao leitor a experiência de se submergir no processo de criação da mais nova e aguardada obra da Marvel Studios. Apresentando fotos e imagens das filmagens, o título trará também conteúdo exclusivo do elenco principal (Scarlett Johansson, Florence Pugh, David Harbour e Rachel Weisz), além de bate-papos com a equipe responsável por dar vida ao mundo da espionagem de “Viúva Negra” e uma análise aprofundada da história em quadrinhos da icônica personagem da Marvel.

Confira abaixo a prévia da entrevista de Florence traduzida por nossa equipe e a nova imagem promocional divulgada no scan:

YELENA BELOVA
Florence Pugh fala sobre família e ser a assassina prática e objetiva que faz o que tem que ser feito.

Como você se sentiu ao ingressar no Universo Cinematográfico da Marvel?
Como em qualquer franquia, é sempre um pouco intimidador, devido ao que você irá trazer e de quem você irá interpretar. Eu acho que, para qualquer ator, isso automaticamente será algo muito marcante e especial, quer você assista a esses filmes pessoalmente ou não. Todo mundo cresce envolto nos filmes da Marvel, ou assistindo a eles, ou, ainda, com algum irmão que os ama e é um(a) fã ávido(a).

Foi convidativo o quanto o Universo Cinematográfico da Marvel vem se expandindo?
Totalmente. O próprio fato de terem colocado Cate Shortland na cadeira do diretor, alguém que eu nunca teria imaginado que estaria dirigindo um desses filmes, na frente de uma das histórias mais queridas, é incrível. Isso por si só já aponta para uma nova direção. O que nós viemos tentando explicar desde o começo, é que parece que Cate está apenas dirigindo outro de seus filmes. Que por acaso acontece de ter essa mega história do Universo Cinematográfico da Marvel por trás. Nunca pensei que essas duas coisas se misturariam tanto. Além disso, a história que estamos contando é bastante assustadora. É sobre mulheres que foram, essencialmente, abusadas e treinadas para serem máquinas mortíferas. Como Scarlett disse inúmeras vezes, esse é o momento certo para ela contar a história da Viúva Negra. E não estamos nos esquivando do fato de que essa história é essencialmente sobre mulheres recuperando sua vida. E é um filme da Marvel Studios, também. Isso é muito raro, e é muito emocionante fazer parte disso.

Conte-nos sobre a sua personagem.
Eu interpreto Yelena, a irmã mais nova irritante que fala tudo o que vem à cabeça sem medir as consequências. Quando nós a conhecemos, ela está meio que descobrindo o mundo sob uma nova perspectiva. Ela está magoada, é complicada e age de forma desgovernada. Quando ela reencontra a personagem de Scarlett, Natasha, Yelena está meio que redescobrindo quem ela é após ficar tanto tempo na Sala Vermelha. Então, juntas, elas percebem que estão sofrendo de maneiras muito semelhantes. Há uma amizade adorável e única entre as duas, porque, no fim das contas, elas são irmãs que não se viam há muito tempo. Elas consertam uma à outra e a falta que ambas fizeram em suas vidas. No centro disso, está essa jornada bastante brutal de descobrirem quem elas são, e isso é algo que eu não imaginava que combinaria com tantas explosões incríveis, armas, e isso e aquilo. Na verdade, há uma história muito triste no fundo.

Fonte: Black Widow: The Official Movie Special e Amazon.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Em uma breve entrevista à edição especial de agosto da revista Empire UK, intitulada de Big-Screen Preview Issue, a diretora de “Viúva Negra“, Cate Shortland, confirmou que Florence Pugh será a nova Viúva Negra do Universo Cinematográfico da Marvel. Cate, que não poupou elogios a performance da atriz no papel de Yelena Belova, falou também um pouco sobre o processo de edição do filme, que sofreu um pequeno atraso devido a pandemia do novo coronavírus. Confira abaixo alguns trechos traduzidos nos quais a diretora menciona Florence e o filme e seu processo de pós-produção:

Viúva Negra
A diretora Cate Shortland diz-nos para esquecer o que achamos que sabemos — a tão esperada pré-sequência de Natasha Romanoff está cheia de surpresas

Empire UK: Como vai você? Vocês já deveriam ter concluído e finalizado o filme a essa altura.
Cate Shortland:
Nós estávamos a uma semana de finalizar a edição quanto tivemos que parar, e então, provavelmente, levaram outras duas semanas para reunirmos a tecnologia necessária para que pudéssemos continuar editando. A parte musical está toda pronta. Estamos quase lá!

Empire: Bom, você tem que se manter ocupada. Então você está iniciando a Fase Quatro da Marvel com a pré-sequência, voltando ao passado para avançar até o futuro. Essa contradição é algo sobre o qual você falou ao fazer esse filme?
Cate:
Sim, foi. Kevin [Feige, chefe da Marvel] sempre se interessa pelo inesperado. Ele percebeu que o público esperava uma história de origem, então, é claro, fomos na direção oposta. E não sabíamos o quanto Florence Pugh seria genial. Nós sabíamos que ela seria ótima, mas não sabíamos o quanto. Scarlett é tão graciosa, ela disse, “Oh, estou passando o bastão para ela.” Então isso vai impulsionar outra história feminina.

Empire: Então você vê esse filme mais como uma entrega do que apenas uma despedida de Scarlett?
Cate:
Sim. Em “Ultimato“, os fãs ficaram incomodados com o fato de Natasha não ter tido um funeral. Enquanto Scarlett, quando eu conversei com ela sobre isso, disse que Natasha não iria querer um funeral. Ela é muito reservada, e de qualquer maneira, as pessoas não sabem realmente quem ela é. Então, o que fizemos nesse filme, foi permitir que o final fosse a dor que os indivíduos sentiam, ao invés de uma grande manifestação pública [de tristeza]. Eu acho que é um final adequado para ela.

Empire: Essa é uma abordagem muito interessante também, dado o fato de que há um aspecto de solidão nela. Colocá-la junto a uma quase-família é realmente contra-intuitivo.
Cate:
Totalmente, e novamente é Kevin, insanamente inteligente. Essas pessoas a conhecem desde a infância, então a máscara dela tem que cair imediatamente, porque, caso contrário, eles chamam sua atenção. Esse é um lado dela que vocês não estão acostumados a ver e eu acho que essa é uma maneira particularmente feminina de se olhar para uma história. Muitas vezes, os homens olham para as coisas em um grande mural mítico, certo? A grande heroína que vai matar o inimigo. O que nós abordamos foi, quem é ela quando está sozinha? Quem é ela com as pessoas que a conhecem melhor? Esses são os detalhes que estávamos procurando [explorar].

Empire: Isso foi um desafio para Scarlett em termos de atuação? Essa personagem tem sido tão definida por sua privacidade que, quando você a aprofunda e a faz se abrir, pode parecer uma pessoa completamente diferente.
Cate:
Ela sempre será reservada, mas acho que o que Florence Pugh fez, como atriz, foi se revelar tão completamente que Natasha não tem outra escolha a não ser fazer o mesmo. Então você tem esse… quase um romance realmente bonito entre as duas garotas. É a história de irmãs. Estou orgulhosa do que ambas fizeram, porque é bastante sutil mas, emocionalmente, tem muito amor, empatia e compaixão.

Fonte: Empire UK — The Big-Screen Preview Issue.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.



Florence Pugh foi convidada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela maior e mais importante premiação do cinema, o Oscar, a se juntar à organização. Florence faz parte do seleto grupo de 47 atores e atrizes que compõe a lista de um total de 819 artistas e executivos convidados que se destacaram por suas contribuições ao cinema.

A lista de convidados do ano de 2020 é composta em 45% por mulheres, 36% por membros de comunidades étnicas/raciais sub-representadas e em 49% por estrangeiros de 68 países. Ela inclui, ainda, 75 indicados ao Oscar, 15 deles ganhadores, e cinco ganhadores de Prêmios Científicos e Técnicos. Aqueles que aceitarem os convites serão as únicas adições à associação à Academia em 2020.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas emitiu uma breve declaração ao divulgar a lista, através de seu presidente, David Rubin:

A Academia tem o prazer de receber esses ilustres companheiros de viagem nas artes e nas ciências cinematográficas. Sempre abraçamos talentos extraordinários que refletem a rica variedade de nossa comunidade cinematográfica global, agora mais do que nunca.

Além de Florence, também fazem parte dos atores convidados nomes como Lakeith Stanfield, Cynthia Erivo, Kaitlyn Dever, Ana de Armas, Awkwafina, Zazie Beetz e muitos outros. A lista completa pode ser conferida aqui.

 
Fonte: Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.



Florence Pugh concedeu uma entrevista exclusiva para a edição britânica de junho da revista Elle, realizada por Hannah Nathanson, acompanhada de um ensaio fotográfico realizado por Liz Collins. Na entrevista, a atriz abordou seu próximo projeto, o filme da Marvel Studios “Viúva Negra“, seu namoro com o também ator Zach Braff, a fama e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica e os scans da revista:

Você já conheceu Florence Pugh?
Prática, sincera e deliciosamente travessa, Florence Pugh não só é uma das atrizes mais talentosas de sua geração, mas também é uma das mais intrigantes.

Florence Pugh está tendo um momento intensamente prazeroso. Lentamente, elegantemente, com a precisão tentadora de Nigella Lawson, ela corta uma bola reluzente de burrata. ‘Ai meu Deus! Você viu isso?‘ A burrata está em sua frente, salpicada em molho pesto; seu conteúdo escorrendo para o prato. ‘Foi bem sensual, não foi?‘ ela diz. Há uma pausa. ‘Não conte ao mundo que eu disse que cortar queijo foi bem sensual.’

Mas almoçar com Florence Pugh é uma experiência sensual. Talvez isso se deva ao fato de nossa tarde ser cheia de insinuações seguidas de sobrancelhas erguidas (dela, não minhas), ou ao fato de que a risada de Pugh – um rugido alto, profundo e desinibido (ela chama isso de sua ‘risada de dinossauro’) – ecoa pelo restaurante a cada poucos minutos. Ou talvez seja apenas o fato de Pugh ser um dos grandes artistas sensuais – alguém livre das superficialidades de relações públicas; possuindo apetite extraordinário, opiniões em abundância e uma transparência rara que faz com que todos que a conheçam queiram desfrutar de sua companhia.

Nos encontramos no Luca, um restaurante italiano em Clerkenwell, Londres. (Isso aconteceu apenas algumas semanas antes de sermos forçados ao confinamento do Covid-19.) Pugh está naquele delicioso estágio em sua carreira em que ainda está disposta a oferecer a um jornalista mais do que um ‘bate-papo’ de uma hora para seu ensaio fotográfico de capa, então optamos por um almoço. O pai dela era dono de restaurante e ela tem um passatempo secundário bem-sucedido de testar receitas em seu Instagram Stories, então ela está em um ambiente bastante familiar arregaçando as mangas nos confins da cozinha de um estranho. Quando chega, ela cambaleia para dentro com uma mala quase do seu tamanho e várias sacolas cheias do que parece ser todos os seus pertences mundanos. Ela explica que passou os últimos meses em Los Angeles, mas acabou de pousar em Londres por algumas noites antes de voltar para a casa da sua família em Oxfordshire.

Atualmente em LA, onde está vivendo em confinamento, ela diz que cozinhar tem sido sua salvação durante esses tempos de ansiedade passados longe de sua família: ‘Quando o confinamento mundial começou e a situação obviamente ficou séria bem depressa, eu me encontrei desesperada para cortar. Alimentar. Comer. Repetir! Isso me acalma, me manter ativa e criar.‘ Ela também não está imune ao frenesi de fazer massa fermentada: ‘Eu me tornei uma criadora de pão lêvedo,‘ ela me conta de LA. ‘Eu guardei uma fatia de cada pão no freezer para que minha mãe possa experimentar o progresso, do começo ao fim, quando o isolamento afrouxar.

Além de compartilhar suas habilidades de fazer pão, Florence está ansiosa para voltar à normalidade após o confinamento: ‘Continuo sonhando acordada com caminhar pelo Soho ou por East London enquanto o sol brilha, com um coquetel de lata da M&S (é tradição) na mão e minhas amigas em meus braços,‘ ela diz.

As condições de vida restritas também foram um momento de auto-reflexão: ‘Fiquei tão surpresa com o quão cruel sou comigo mesma! Vivendo em confinamento, descobri que não há sentido em se chatear consigo mesmo por não ler aquele livro, escrever aquela música, ou malhar naquele dia. Estou me ensinando a encontrar alegria o máximo que puder e a diminuir o ritmo nesses longos dias em aberto.‘ Isso significa ficar longe do Zoom também: ‘Não tecnológica de forma alguma… eu fiz uma peça virtual ao vivo de “In Our Youth” há algumas semanas e, enquanto eu estava logando [no Zoom], errei o número de ID da sala e acabei entrando em uma reunião de estranhos que GRAÇAS A DEUS só iria começar em 30 minutos!

De volta a uma Londres pré-confinamento, estamos a meia hora em nossa aula de fabricação de massas com o chefe de cozinha quando começa. Enquanto enrola nhoque em uma tábua própria para massas que parece um batente de porta, Florence declara: ‘Quem decidiu pegar uma palmatória e dizer, “Vou esfregar minha massa nela?”‘ Uma deixa para a ‘risada de dinossauro’ e um chefe de cozinha corado que apressadamente apresenta uma tábua de formato diferente. Quando chefs entram no local, um com montes de massa, outro trazendo pratos de sobremesa, Pugh fica como um cachorrinho empolgado. ‘Errrrm, o que?‘ ela grita a uma montanha de tiramisu. ‘Tiramisu é a minha sobremesa favorita. Você sabia disso?‘ ela pergunta ao chef estupefato. Ele confidencia que ganhou peso desde que assumiu o cargo. ‘Tudo bem,‘ ela o tranquiliza. ‘Você é um chef… combina com você.

Pugh está acostumada a criar camaradagem com estranhos. Ela atribui isso a uma família animada, meio amantes de comida, meio dramáticos (seu irmão e sua irmã também são atores). ‘Eu cresci em uma família muito grande, em que comer, performar e conversar eram coisas que aconteciam tradicionalmente todos os domingos,‘ ela diz enquanto nos sentamos para apreciar nossas massas. ‘Nós tínhamos grandes almoços com todo o tipo de pessoas, vindas de todos os lugares do mundo – músicos, artistas, escritores – e era esperado que nós [as crianças] falássemos e acolhêssemos [as pessoas].

Quando Florence era uma adolescente de 17 anos em uma escola particular de Oxford, ela fez testes para o filme “The Falling“, de Carol Morley, sobre um grupo de garotas que, misteriosamente, continuavam a desmaiar. Florence, que se destacava nas artes, mas nunca havia estudado-a especificamente, conseguiu um dos papéis principais ao lado de Maisie Williams, de Game of Thrones, que ainda era relativamente desconhecida na época. Apesar de nunca ter frequentado uma escola de artes cênicas, foi uma performance impecável de Florence, que interpretou uma adolescente promíscua que enfeitiçava todos que a conheciam.

Durante as filmagens, Carol Morley não permitia que as garotas se assistissem no monitor: ‘Acho que ela não queria que a gente atuasse por vaidade, ou que soubéssemos o que não gostávamos em nós mesmas na tela,‘ diz Pugh. ‘Ela queria nos manter o mais ingênuas possível.‘ Esse estilo de direção, sem dúvidas, ajudou, pois a carreira de Pugh decolou. ‘Nunca me incomodei com as coisas estranhas que acontecem durante as gravações, talvez por causa disso. Não me importo com a minha papada, isso não faz parte do processo de atuação para mim.

No início deste ano, Florence foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, após seu papel como Amy March ao lado de Saoirse Ronan e Emma Watson em “Adoráveis Mulheres“. Greta Gerwig, a diretora do filme, me conta que Florence trouxe sua energia familiar e divertida ao set todos os dias: ‘Ela sabe instintivamente como fazer parte de um grande grupo familiar. Ela sempre era a primeira nas brincadeiras de luta, a primeira contando uma piada, desencadeando uma crise de risos, comendo os bolos do cenário. Ela tinha aquela energia transbordante da irmandade.

Essa proximidade de irmã é algo que Scarlett Johansson, sua parceira de cena no próximo filme da Marvel, “Viúva Negra“, também sentiu: ‘Eu não tenho uma irmã mais nova,‘ ela me diz ao telefone, de Nova York. ‘Mas com a Florence, eu sinto que há alguns elementos da dinâmica irmã mais velha/irmã mais nova.‘ Com o filme mais recente da Marvel, Pugh está deixando sua própria marca: seu novo status estelar foi confirmado em apenas 30 segundos em um trailer exibido durante o Super Bowl, assistido por mais de 100 milhões de pessoas. Nele, Pugh ganhou tempo de tela equivalente ao da colega de trabalho e indicação ao Oscar, Johansson.

No meio de seu sucesso, é difícil esquecer que Florence ainda está no começo de seus 20 e poucos anos. ‘Queria ter sido tão confiante quanto ela é quando eu tinha sua idade,‘ diz Scarlett. ‘Ela é confiante quanto a sua aparência e tem muito respeito por si mesma. Ela me lembrou – só de ouvi-la falar sobre seus relacionamentos com amigos, família ou seu namorado – o quão importante é ter segurança em suas crenças e desejos.

O namorado de Florence é o ator Zach Braff, que por acaso também é 21 anos mais velho que ela. Muita polêmica foi feita em cima da diferença de idade (grande parte em forma de linchamento virtual – falaremos mais sobre isso depois), mas quando você passa um tempo com Pugh, você se pergunta como um homem de 24 anos de idade conseguiria ser adequado.

Sua decisão de aceitar o papel de Yelena Belova em “Viúva Negra” – uma espiã russa que, como a personagem de Johansson, Natasha Romanova, foi treinada no programa Viúva Negra – não foi fácil de se tomar. ‘Quando você pensa na Marvel, é grandioso e intimidador. Especialmente sendo uma atriz relativamente pequena, refletir sobre isso e pensar, “Oh! Eu vou fazer parte disso,” é uma decisão importantíssima,‘ diz ela. Mas nada poderia ter preparado Florence, que admite que não ter sido uma fã fanática da Marvel durante a infância e a adolescência, para a massiva resposta global. No último verão, o elenco foi revelado na San Diego Comic-Con, a convenção anual de super fãs. ‘Era como um armazém cheio de gente,‘ diz ela. ‘Nós saímos [para o palco] e eu nunca havia escutado um estrondo como aquele. O que foi realmente adorável é que dissemos olá, e então fomos para a frente do público e assistimos a um clipe. Durante todo o tempo, Scarlett marchou como se fosse a rainha deles,‘ diz Florence. ‘Ela é tão incrível e faz tudo com maestria. Em seguida nós assistimos o clipe e eu estava com medo porque meu sotaque russo seria revelado ao mundo e eu não sabia como ele soava. Eu também estou interpretando uma personagem que ninguém viu antes, apesar de já terem lido sobre ela; eu não sabia se as pessoas iriam me odiar. Nós duas ficamos lá paradas e instantaneamente, minhas mãos começaram a ficar úmidas e a suar. Scarlett me deu a sua mão e nós apertamos as mãos uma da outra, e ela também estava com as mãos úmidas! E então eu fiquei tipo, “Oh, você nunca se acostuma com isso. Isso é tão poderoso [para você] e você é a lenda deles”.

A personagem de Pugh em “Viúva Negra” é descrita como estando ‘no auge de sua condição atlética’. Quando eu digo isso a Florence, ela solta uma risada rouca que parece vir não de sua barriga, mas de seus pés. ‘Essencialmente, você tem que se movimentar com perfeição. Pessoalmente, eu amei tudo isso porque cresci com muita dança e muita movimentação. Eu estava sempre brincando de luta com meu irmão [o ator e músico Toby Sebastian], então acho toda essa coisa de combate muito empolgante. Uma vez que você vai mostrar isso para as câmeras, você tem que saber como fazê-lo de maneira correta e que pareça real, e isso é uma categoria totalmente diferente,‘ diz ela.

Há muito tempo existem rumores de que as estrelas dos filmes da Marvel têm que se submeter a uma dura rotina de exercícios e dietas exigentes, o que é interessante, uma vez que Florence já havia falado sobre más experiências quanto a autoestima em relação ao corpo que ela teve em Hollywood quando adolescente. ‘Quando consegui o emprego, quis saber qual era o regime,‘ diz ela, comendo uma garfada de bacalhau. ‘Eu quis saber se seriam eles ou eu quem daria as ordens. Isso foi muito importante para mim. Eu não queria fazer parte de uma coisa na qual eu seria constantemente fiscalizada. E ter pessoas se certificando de que eu estava na forma “correta”. Isso não é para mim de jeito nenhum.

Ainda assim, ela disse que comia bem, cozinhava de manhã e levava uma vasilha plástica com comida caseira todos os dias. ‘Scarlett tinha esse cara incrível que cozinhava coisas lindas para ela e sua equipe. Eu achei que isso foi inteligente, porque você está se exercitando o tempo todo e precisa ter alguém que realmente saiba o que você está comendo e que nutrientes está recebendo. Lembro dela me perguntando, “Por que você está cozinhando para si mesma? Nos deixe alimentar você de uma vez!” E eu fiquei tipo, “Não,” ela diz, rindo com a lembrança. ‘Meu cérebro é tão “Pew, pew, pew,”‘ diz ela, atirando lasers imaginários com os dedos. ‘De verdade, meu hobby terapêutico é cortar, cozinhar, mexer e provar.

Uma das coisas pelas quais os fãs de Florence a amam, é sua abordagem franca à vida como uma atriz, especialmente nas redes sociais. Ela fez recentemente uma série de Instagram Stories censurando duramente seu iPhone por colocar automaticamente um filtro em uma selfie que ela postou: ‘Isso deve ser uma escolha sua,‘ diz ela, ainda visivelmente aborrecida com a experiência. ‘Eu não estou dizendo que quero evidenciar minhas falhas por aí, mas a questão é que eu deveria ter decidido que elas fossem eliminadas, e não meu telefone ser automaticamente programado para sumir com as coisas que me fazem ser quem sou.

Ela admite que aborda a vida online com um toque de diversão. ‘Quando estou fazendo marmelada, não me preocupo em estar com o cabelo bonito. Há momentos em minha vida nos quais eu me arrumo e dois artistas incríveis vêm em minha casa e me pintam, puxam e escovam por duas horas. E então eu vou para o tapete vermelho. É um evento de duas horas, em seguida vou para casa e tiro tudo. Mas quando eu faço marmelada, minha aparência está normal,‘ diz ela.

As redes sociais foram também onde ela revidou os ataques verbais contra Braff. Quando emergiram fotos de paparazzi dos dois de mãos dadas, trolls criticaram duramente o ator de “Scrubs“, dizendo: ‘Você tem 44 anos’, Florence respondeu com a simples réplica: ‘E ainda assim, ele me conquistou’. Quando ela relembra sua resposta, diz que foi ‘necessária‘. ‘Porque as pessoas precisam perceber que isso é ofensivo. Eu tenho o direito de conviver, ficar e sair com quem eu quiser,‘ diz ela, soltando uma risada nervosa.

Eu sempre achei essa parte do que as pessoas fazem realmente bizarra. Sou uma atriz porque gosto de atuar e não me importo que as pessoas assistam minhas coisas, mas elas não têm nenhum direito de me educar em minha vida pessoal.‘ Ela, no entanto, tem consciência de que namorar outro ator pode atrair mais atenção: ‘Eu sei que parte de estar nos holofotes é que as pessoas podem invadir sua privacidade e ter opiniões quanto a isso, mas é bizarro que pessoas comuns possam mostrar tanto ódio e opiniões sobre uma parte da minha vida que eu não estou abrindo ao mundo. É um lado estranho da fama você poder ser dilacerado por milhares de pessoas, mesmo que você não tenha exibido essa parte de si por aí,‘ diz ela, subitamente séria. ‘Eu não quero falar sobre isso porque não é algo que eu queira enfatizar, mas meu ponto central sobre isso tudo é que, não é esquisito que um estranho possa estraçalhar totalmente o relacionamento de alguém e que isso seja permitido?

Pugh levou seus pais, não Braff, ao Oscar. ‘Isso não foi para depreciar ninguém; eu precisava que eles estivessem lá,‘ diz ela. Ela achou a experiência ‘tão incrível, estranha e incomum‘, mas ela tinha guloseimas para sobreviver às quatro horas de cerimônia. ‘A certa altura, todos se levantaram para aplaudir Martin Scorsese. Eu havia acabado de pegar um pacote de M&Ms. Quando todos nos levantamos, uma câmera apareceu bem em meu rosto e eu estava sacudindo esse saco de M&Ms por aí. Então eu simplesmente tive que largá-lo… no chão. Eu pensei, “não posso ser a garota que está comendo M&Ms enquanto aplaude o Martin de pé.”

Estamos em nossa terceira tigela de macarrão quando o tempo da nossa entrevista acaba. Tem um motorista esperando para levar Florence a Oxfordshire. Ela pede educadamente para que as sobras sejam embaladas. ‘Minha mãe adoraria uma marmita,‘ diz ela, obviamente ansiosa por alguns confortos domésticos. Nós andamos pelo restaurante e eu pergunto se ela costuma ser reconhecida. Ela diz que, a menos que esteja com alguém (como Scarlett) e as pessoas somem dois mais dois, ninguém a para na verdade; ela se safa por ser ‘uma loira normal’.

Ela arrasta sua mala para o carro enquanto faz malabarismos com diversas bolsas: ‘No Oscar uma semana, e olhe para mim agora!‘ exclama ela quando nos abraçamos em despedida. Mas, enquanto ela se afasta no carro com suas sobras no colo, eu não tenho certeza de quanto tempo a vida como uma loira normal irá durar.

Fonte: Elle Uk.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 



Em abril foi anunciado pela Variety, revista estadunidense semanal especializada em cinema e na indústria do entretenimento, que Florence Pugh irá estrelar o mais novo filme de thriller psicológico da diretora e atriz Olivia Wilde, “Don’t Worry Darling“.

Produzido pela empresa New Line Cinema, o longa irá se passar em uma comunidade utópica e isolada no deserto da Califórnia, ambientado nos anos 1950.

A New Line considera o filme uma grande prioridade, tendo conquistado os direitos após uma disputa acirrada de licitações devido à aclamação da estreia como diretora de Wilde em “Fora de Série“.

Catherine Hardwicke é a produtora executiva do filme, ao lado de Shane e Carey Van Dyke. Silberman já está reescrevendo o roteiro originalmente assinado por Shane e Carey Van Dyke.

O elenco conta com nomes como Chris Pine (Mulher-Maravilha), Shia LaBeouf (Honey Boy) e Dakota Johnson (Cinquenta Tons de Cinza).

 



Ontem, 02 de fevereiro, durante o intervalo do Super Bowl, foi exibido um novo comercial de ‘Viúva Negra‘, intitulado de ‘Choose‘. No novo Spot, Natasha (Scarlett Johansson), Yelena (Florence Pugh), Melina (Rachel Weisz) e Alexei (David Harbour) se reúnem para enfrentar os fantasmas de seu passado e o vilão Treinador.

Confira:

A Marvel divulgou também pôsteres individuais de alguns personagens, incluindo Yelena Belova:

Confira a sinopse oficial do filme divulgada pela Marvel Studios em janeiro e traduzida pela nossa equipe: “No thriller de espionagem repleto de ação da Marvel Studios, ‘Viúva Negra‘, Natasha Romanoff confronta as partes mais sombrias de seu histórico quando uma conspiração perigosa ligada ao seu passado surge. Perseguida por uma força que não parará por nada até acabar com ela, Natasha deve lidar com sua história como uma espiã e os relacionamentos rompidos que deixou para trás muito antes de se tornar uma Vingadora.”

O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 30 e abril de 2020!



Florence Pugh é a capa da edição de fevereiro da Vogue americana! A atriz concedeu uma entrevista exclusiva para a publicação, realizada por Gaby Wood, e posou para as lentes do fotógrafo Daniel Jackson. Durante a entrevista, Florence relembrou sua carreira, papéis marcantes, discutiu seus mais recentes projetos, o filme “Adoráveis Mulheres” e o próximo empreendimento da Marvel, “Viúva Negra“, e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica e os scans da revista:

De “Adoráveis Mulheres” a super-heroína da Marvel, Florence Pugh é um novo tipo de estrela revelação

Em abril do ano passado, a atriz britânica Florence Pugh estava visitando Nova York com suas irmãs quando entrou em um estúdio de tatuagem. Ela não sabia o que queria fazer. Até que, de repente, soube.

Tudo bem, eu quero uma abelha,” ela disse.

Que tipo de abelha?” o tatuador perguntou.

Eu quero uma visão panorâmica. Bastante matemática. Nada realista,” ela respondeu.

O tatuador sorriu. “Para alguém que não sabia o que queria,” ele disse, “você falou com exatidão.

É,” Florence disse, mais surpresa do que qualquer um. “Isso é estranho.

Ela me conta essa história em uma tarde em Londres, olhando para o pequeno desenho em linhas na parte interna do seu pulso e franzindo um pouco o cenho em confusão com seu próprio impulso. O conto de sua primeira e única tatuagem parece dizer muito sobre o modo como Florence opera. Ari Aster, que a dirigiu no assustador “Midsommar” do último verão, sugere que ela é “alguém que realmente precisa confiar em seus instintos,” e que é importante que os outros também confiem neles “porque os instintos dela são extremamente confiáveis.” Isso dá a ela uma mistura sedutora de confiança e modéstia, de comprometimento sem ambição impetuosa.

O símbolo que ela carrega no corpo é, na verdade, uma abelha operária.

Eu sei,” ela diz quando eu sugiro que isso é apropriado, “e eu não fazia a mínima ideia.

Com apenas 24 anos de idade, Florence tem trabalho como atriz pelos últimos sete anos, fugindo de rotas previsíveis para a fama e escolhendo papéis intrigantes sem ostentação. Em 2018, ela estrelou a adaptação para a TV extremamente elegante de Park Chan-wook de “The Little Drummer Girl“, baseada na obra de John le Carré — uma performance realizada tão plenamente que inspirou o próprio le Carré a colocar uma personagem chamada Florence em seu romance mais recente. Ano passado, ela estrelou a comédia de luta livre “Lutando Pela Família“, feita por Stephen Merchant, co-criador de The Office; “Midsommar“; e, principalmente, a adaptação de Greta Gerwig de “Mulherzinhas“. Esse ano ela irá interpretar Yelena, a aliada atlética de Scarlett Johansson, no filme da Marvel “Viúva Negra“. Tudo isso fez de Florence, um tanto que meteoricamente, uma artista de Hollywood abrangente, de poder pouco convencional — e uma pessoa que, ao que parece, sabe exatamente o que quer.

Quando nos encontramos, Florence havia acabado de retornar do Marrocos para Londres, depois de passar meses em combate físico com Scarlett no set. Nós estamos em um restaurante do Oriente Médio em um canto tranquilo do Borough Market, que está fervilhando com açougueiros, padeiros, fabricantes de alcaçuz, com fornecedores de trufa e responsáveis por queijo de alto escalão. A avó materna de Florence, a indomável matriarca Vovó Pat, costumava trazê-la aqui de Oxford quando Pugh era uma criança, e elas costumavam provar a comida antes de irem ao cinema.

Hoje, ela está sentada à minha frente, vestindo uma camiseta preta da Ragyard com dois escorpiões aplicados nela, e toma uma vodca com soda durante o almoço. Ao seu lado, está uma jaqueta bomber de seda preta que ela comprou em um brechó de caridade quando tinha oito anos e tem usado desde então. Sua voz é mundana e animada, com uma rouquidão originária — como ela me conta mais tarde — de uma enfermidade na infância.

Eu não sabia bem o que era estar envolvida em um desses filmes,” ela diz da corporação Marvel. “Obviamente que você tem que ser fisicamente capaz porque o ponto principal,” ela acrescenta com ironia, “é que você é um super-herói.” Mas o resto, disseram-lhe, dependia dela. Florence foi direto para o galpão onde os dublês de acrobacias ficavam. “Aprender com eles foi a minha parte favorita,” ela diz. Embora tivesse uma dublê, ela queria saber como fazer tudo — e como a diretora de “Viúva Negra“, a cineasta australiana Cate Shortland, relata, Florence fez a maioria das acrobacias de suas cenas de ação: “Ela é de arrepiar mesmo. Feita de aço. Ela não vai desistir [de algo que queira], sem dúvidas. Ela tem uma quantidade saudável de raiva em si, na condição de ser humano, por todas as injustiças que vê ao seu redor.

Mais do que qualquer outra coisa, no entanto, foi o “soco no estômago” do filme que surpreendeu Florence. Com Shortland — aparentemente selecionada entre 70 candidatos à direção — no comando, e influenciado em grande parte pela própria Scarlett, “Viúva Negra” é apenas o segundo filme no universo Marvel (depois de “Capitã Marvel“, de Brie Larson) a se concentrar nas mulheres. Embora os detalhes da trama estejam sendo mantidos em segredo até a estreia do filme em maio, Florence diz que a história “lida com algumas coisas bem difíceis. É bruta, dolorosa, emocionante e engraçada, e de forma alguma… feminina. É sobre mulheres destruídas juntando seus pedaços.” Shortland acrescenta que ela — junto a Florence, Scarlett e Rachel Weisz, que também protagoniza o filme — “queria fazer algo íntimo dentro do gigantesco universo Marvel. Nós criamos relacionamentos femininos com corpo, com carne e sangue. Elas não tiveram que se fazer de boazinhas.

Florence entrou na indústria à beira de algo bem particular: uma época em que as mulheres podem dar as ordens (ao menos algumas). Seu primeiro papel foi em “The Falling“, uma meditação hipnótica em menor escala sobre histeria, ambientada em uma escola só para garotas e dirigida por Carol Morley. Seus dois últimos projetos — “Adoráveis Mulheres” e “Viúva Negra” — também foram dirigidos por mulheres. Ela tem estado em uma posição de poder tomar essa força feminina como certa e seguir em frente sem se intimidar.

Se o arquétipo da mocinha implica algo como uma mulher jovem e impressionável cuja ascensão depende em parte do favor de seus superiores (provavelmente do sexo masculino), Florence pode oferecer uma alternativa, um novo tipo de estrela em ascensão que está emergindo em uma época na qual diferentes dinâmicas de poder são possíveis. Olhando para sua carreira até agora, um otimista pode pensar que o antigo modelo possui uma influência menor. Florence se recorda de ler sobre Jennifer Lawrence estar recebendo um salário menor do que seus colegas de elenco do sexo masculino e pensar, “Oi? Isso não pode ser considerado normal.” Mas ela sabe que o que está acontecendo agora é o resultado de um debate bem mais longo. Como ela mesma coloca: “Na verdade, esses debates estão fundamentando os discursos das mulheres nos filmes agora. Quando uma mulher fala, ela terá algo a dizer.

Florence cresceu em uma família de anfitriões: Seu pai é dono de restaurantes em Oxford; seu avô trabalhou em mercados de frutas e administrava um pub. “Somos uma grande família que adora comer,” ela diz com uma risada gutural. Sua mãe era professora de dança, e Florence relaciona tudo isso — a boa comida e a companhia exuberante — à performance. “Tudo isso é grandioso, afetuoso e acolhedor,” ela explica. Até hoje, ela acha que cozinhar para alguém é “uma das maneiras mais simples, mas mais maravilhosas, de se ter um encontro.” Quando vagamos, após o almoço, até uma barraca de queijos no mercado, Florence faz perguntas tão perspicazes ao dono que, imediatamente, tem um emprego oferecido a ela.

Eu sempre tive uma personalidade muito forte,” Florence diz. “Por exemplo, quando eu era mais nova, eu sempre vestia a coisa mais vibrante. Eu amava pintar o meu rosto. E devido a eu ser tão boa nisso, não acho que meus pais consideravam isso insolente.” Quando adolescente, Florence costumava atuar como babá residente para uma multidão que vinha em visita aos domingos. Com uma pequena tropa a seus pés, ela fazia fantasias, servia chá em xícaras de brinquedo, e inventava um drama que, inevitavelmente, incluía um papel fundamental para si mesma. “Eu falava: ‘Não, esse é o meu papel. Eu interpreto a mulher sofrida que perdeu o marido.’

Mas antes disso, entre as idades de três e seis anos, ela morou na Espanha com seus pais e irmãos, Arabella e Sebastian, que são 10 e quatro anos mais velhos do que ela, respectivamente. (Uma irmã mais nova, Rafaela, nasceu quando Florence tinha sete anos.) A mudança de Oxford para a Espanha teve como objetivo ajudar os problemas de saúde de Florence: Ela sofria do que mais tarde foi diagnosticado como traqueomalácia — o que significa que sua traqueia entrava parcialmente em colapso após ela respirar — e, quando criança, passava bastante tempo em hospitais. Agora ela só tem, como diz, “uma tosse muito assustadora,” e qualquer pessoa que a tenha visto soluçando em “Midsommar“, reconhecerá a chocante pontuação gutural em sua performance de luto.

Isso também a deixou com uma voz incomumente madura para cantar. Quando Florence era adolescente, sua mãe começou a postar vídeos caseiros dela cantando no YouTube — sem perceber completamente, até que ela desenvolveu uma base de seguidores, que qualquer pessoa podia assisti-los. Você ainda pode encontrar “Flossie Rose” usando um pesado delineado preto, sentando descalça sobre a cama, cantando covers da banda Oasis e acompanhando a si mesma no violão. Desde então, ela cantou em alguns de seus filmes, e a música é algo que ela gostaria de explorar mais.

Cantar e atuar virou o negócio da família. Sebastian, que atende pelo nome profissional de Toby Sebastian, lançou um EP em 2019, e sua carreira de ator inclui interpretar Trystane Martell na quinta temporada de “Game of Thrones“. Arabella (agora Gibbins) é uma atriz, cantora e professora de canto. Rafaela, que tem 16 anos e ainda está na escola, também atua. Os irmãos, com quem Florence passa o máximo de tempo possível, desempenham a função muito importante de manter uns aos outros sãos. A título de exemplo, Florence me conta sobre ir assistir “Midsommar” com sua família. “Midsommar” é, em parte, um filme sobre perder sua família e tentar recriá-la em outro lugar — com consequências desastrosas.

Em uma das cenas de abertura, os pais e a irmã da personagem de Florence morrem por inalação de gás — não exatamente divertido para toda a família, mas sua irmã de 16 anos professou estar desapontada.

Não sei por que chamam isso de filme de terror,” Rafaela disse. “Nem é tão assustador.

Hum, tudo bem,” disse Florence. “Mais algum comentário?

Seis semanas após o nosso almoço em Londres, Florence e eu nos reunimos em Los Angeles. Ela pede para nos encontrarmos no que sente ser “o único lugar estranho e com curvas” na cidade. Laurel Canyon era — como uma placa próxima lembra aos visitantes — aonde “o espírito comunitário e psicodélico da década de 1960… se unia.” Perto da antiga casa de Jim Morrison, na ampla varanda de madeira de 100 anos de idade da Canyon Country Store, Florence senta-se ao sol vestindo calças de pernas largas de cetim preto, calçados espadrille e uma camisa regata preta, seus cabelos amarrados com um lenço de seda antigo. Ela fez sete amigos em questão de minutos.

Florence nem sempre teve bons momentos na cidade. Ela veio para L.A. pela primeira vez em 2015 pelo papel principal em um piloto chamado “Studio City“. Aparentemente, era um sonho. Ela nunca tinha vindo aos Estados Unidos; tinha 19 anos de idade. Mas ela teve “uma experiência horrível,” ela lembra, com seu peso como um tópico aberto de conversa. “Eu tive meio que um colapso,” ela diz agora. “Quando [o projeto] não aconteceu, foi que eu percebi o quão aliviada eu estava.

Imediatamente, ela foi escalada em “Lady Macbeth“, um drama indie sombrio do século XIX (baseado no romance de 1865 de Nikolai Leskov, “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk” — o livro, por sua vez, inspirado por Shakespeare) no qual ela interpreta a esposa entediada e semi-encarcerada do filho de um proprietário de minas. A personagem de Florence se irrita e então resiste mais violentamente às restrições impostas a ela. Esse papel incomum e poderoso, Florence diz, deu a ela uma ideia do tipo de atriz que queria ser. “Eu gosto de me sentir crua. Gosto de me sentir nua. Todas as vezes em que surge uma oportunidade de eu ser perfeita nas telas, entro em pânico.

Foi vê-la em “Lady Macbeth” que fez com que Cate Shortland, Greta Gerwig e Ari Aster quisessem todos escalá-la em seus respectivos filmes. Ari esperou por meses até que ela terminasse de gravar “The Little Drummer Girl” e pudesse enviar uma fita para ele. Dani, a personagem central bastante complexa e intensa de “Midsommar“, não foi apenas um papel difícil porque ela tinha que “conduzir o filme integralmente,” Ari observa. Dani também era “um papel perigoso de se assumir. Ela poderia ter se tornado desgastante ou autopiedosa. Foi incrível vê-la evitando todas as armadilhas, sem abandonar tudo o que a personagem exigia.

A experiência de filmar “Lady Macbeth” também fez com que Florence prometesse a si mesma que não retornaria a Los Angeles “até que soubesse quem era.” Dois aos depois ela estava de volta, interpretando uma lutadora musculosa com o cabelo tingido de preto, maquiagem gótica e um sotaque de Norwich em “Lutando Pela Família“, um filme baseado na história real de um clã de luta livre originário do Reino Unido. Da perspectiva de Florence, a aparência de seu corpo naquele filme era irrelevante: a questão era apenas ser forte. “E isso,” ela diz agora, “é uma coisa extremamente maravilhosa de se notar em si mesmo e com o trabalho que você está escolhendo fazer.

Agora, sentada entre os velhos hippies de Hollywood Hills, ela parece perfeitamente em casa. “Este é um cantinho bem especial,” diz ela, sorrindo. Ela está ficando na casa de amigos e está lá há algumas semanas promovendo “Adoráveis Mulheres“. Florence ficou impressionada com “a onda de amor” por “Mulherzinhas” — “porque é o livro da infância das pessoas, especialmente nos Estados Unidos.” Apenas uma semana antes, Meryl Streep — que interpreta a Tia March — realizou uma exibição privada em uma casa na Mount Olympus Drive. (“Quero dizer, os nomes,” diz Florence.) Mais do que tudo, as pessoas parecem apreciar o fato de que Florence fez Amy (como ela mesma coloca) “não ser uma idiota chorona.

A Amy de Florence é deliciosamente convicta sobre seus desejos, e na versão de Greta seu interesse próprio se torna meio que uma sensatez. (Um dos primeiros críticos observou que a performance vigorosa de Florence deu “a essa personagem uma chance de ganhar a nossa simpatia.“) A própria Florence nunca detestou Amy quando leu o livro. “Eu amo todos os personagens incrivelmente mimados,” ela me conta, “porque eles sempre representam essa voz em nossas cabeças. Amy basicamente diz tudo o que quer dizer. Ela não se importa.” Florence sorri. “Então eu estava obviamente em êxtase por interpretá-la.

O filme de Greta introduz material original no roteiro, em especial um discurso proferido por Amy em seu estúdio de pintura parisiense — uma adição de última hora que a diretora entregou a Florence 10 minutos antes de eles começarem a filmar. Diante da câmera, a garota que aspirava a ser “um ornamento para a sociedade” explica sua estratégia feminista que a princípio aparenta ser não-feminista. “Eu sou apenas uma mulher,” ela começa, “e, como uma mulher, não tenho como ganhar meu próprio dinheiro.” Suas ambições não são vãs ou venais, em outras palavras; a época em que ela vivia as tornou necessárias. “Não sente aí,” ela conclui, “e me diga que o casamento não é uma proposta econômica.

Greta me conta que tem pensado muito em Amy recentemente. Amy, ela argumenta, “quer o que quer e vai descobrir como conseguir isso. Essa é a irmã de quem não gostamos. Salvo que, por agora, parece haver meio que uma mudança: talvez não odiemos mais essa garota. Talvez vejamos que ela estava planejando alguma coisa. Estamos mais à vontade com garotas ambiciosas, talvez. O que” — Greta conclui — “me deixa um pouco esperançosa.

Fonte: Vogue.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 



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