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09.01.20 | Salvo em: Destaques | Entrevistas | Galeria | Photoshoots | Autor: FPBR

Florence Pugh é a capa da edição de fevereiro da Vogue americana! A atriz concedeu uma entrevista exclusiva para a publicação, realizada por Gaby Wood, e posou para as lentes do fotógrafo Daniel Jackson. Durante a entrevista, Florence relembrou sua carreira, papéis marcantes, discutiu seus mais recentes projetos, o filme “Adoráveis Mulheres” e o próximo empreendimento da Marvel, “Viúva Negra“, e muito mais. Confira abaixo a entrevista traduzida, as fotos da sessão fotográfica e os scans da revista:

De “Adoráveis Mulheres” a super-heroína da Marvel, Florence Pugh é um novo tipo de estrela revelação

Em abril do ano passado, a atriz britânica Florence Pugh estava visitando Nova York com suas irmãs quando entrou em um estúdio de tatuagem. Ela não sabia o que queria fazer. Até que, de repente, soube.

Tudo bem, eu quero uma abelha,” ela disse.

Que tipo de abelha?” o tatuador perguntou.

Eu quero uma visão panorâmica. Bastante matemática. Nada realista,” ela respondeu.

O tatuador sorriu. “Para alguém que não sabia o que queria,” ele disse, “você falou com exatidão.

É,” Florence disse, mais surpresa do que qualquer um. “Isso é estranho.

Ela me conta essa história em uma tarde em Londres, olhando para o pequeno desenho em linhas na parte interna do seu pulso e franzindo um pouco o cenho em confusão com seu próprio impulso. O conto de sua primeira e única tatuagem parece dizer muito sobre o modo como Florence opera. Ari Aster, que a dirigiu no assustador “Midsommar” do último verão, sugere que ela é “alguém que realmente precisa confiar em seus instintos,” e que é importante que os outros também confiem neles “porque os instintos dela são extremamente confiáveis.” Isso dá a ela uma mistura sedutora de confiança e modéstia, de comprometimento sem ambição impetuosa.

O símbolo que ela carrega no corpo é, na verdade, uma abelha operária.

Eu sei,” ela diz quando eu sugiro que isso é apropriado, “e eu não fazia a mínima ideia.

Com apenas 24 anos de idade, Florence tem trabalho como atriz pelos últimos sete anos, fugindo de rotas previsíveis para a fama e escolhendo papéis intrigantes sem ostentação. Em 2018, ela estrelou a adaptação para a TV extremamente elegante de Park Chan-wook de “The Little Drummer Girl“, baseada na obra de John le Carré — uma performance realizada tão plenamente que inspirou o próprio le Carré a colocar uma personagem chamada Florence em seu romance mais recente. Ano passado, ela estrelou a comédia de luta livre “Lutando Pela Família“, feita por Stephen Merchant, co-criador de The Office; “Midsommar“; e, principalmente, a adaptação de Greta Gerwig de “Mulherzinhas“. Esse ano ela irá interpretar Yelena, a aliada atlética de Scarlett Johansson, no filme da Marvel “Viúva Negra“. Tudo isso fez de Florence, um tanto que meteoricamente, uma artista de Hollywood abrangente, de poder pouco convencional — e uma pessoa que, ao que parece, sabe exatamente o que quer.

Quando nos encontramos, Florence havia acabado de retornar do Marrocos para Londres, depois de passar meses em combate físico com Scarlett no set. Nós estamos em um restaurante do Oriente Médio em um canto tranquilo do Borough Market, que está fervilhando com açougueiros, padeiros, fabricantes de alcaçuz, com fornecedores de trufa e responsáveis por queijo de alto escalão. A avó materna de Florence, a indomável matriarca Vovó Pat, costumava trazê-la aqui de Oxford quando Pugh era uma criança, e elas costumavam provar a comida antes de irem ao cinema.

Hoje, ela está sentada à minha frente, vestindo uma camiseta preta da Ragyard com dois escorpiões aplicados nela, e toma uma vodca com soda durante o almoço. Ao seu lado, está uma jaqueta bomber de seda preta que ela comprou em um brechó de caridade quando tinha oito anos e tem usado desde então. Sua voz é mundana e animada, com uma rouquidão originária — como ela me conta mais tarde — de uma enfermidade na infância.

Eu não sabia bem o que era estar envolvida em um desses filmes,” ela diz da corporação Marvel. “Obviamente que você tem que ser fisicamente capaz porque o ponto principal,” ela acrescenta com ironia, “é que você é um super-herói.” Mas o resto, disseram-lhe, dependia dela. Florence foi direto para o galpão onde os dublês de acrobacias ficavam. “Aprender com eles foi a minha parte favorita,” ela diz. Embora tivesse uma dublê, ela queria saber como fazer tudo — e como a diretora de “Viúva Negra“, a cineasta australiana Cate Shortland, relata, Florence fez a maioria das acrobacias de suas cenas de ação: “Ela é de arrepiar mesmo. Feita de aço. Ela não vai desistir [de algo que queira], sem dúvidas. Ela tem uma quantidade saudável de raiva em si, na condição de ser humano, por todas as injustiças que vê ao seu redor.

Mais do que qualquer outra coisa, no entanto, foi o “soco no estômago” do filme que surpreendeu Florence. Com Shortland — aparentemente selecionada entre 70 candidatos à direção — no comando, e influenciado em grande parte pela própria Scarlett, “Viúva Negra” é apenas o segundo filme no universo Marvel (depois de “Capitã Marvel“, de Brie Larson) a se concentrar nas mulheres. Embora os detalhes da trama estejam sendo mantidos em segredo até a estreia do filme em maio, Florence diz que a história “lida com algumas coisas bem difíceis. É bruta, dolorosa, emocionante e engraçada, e de forma alguma… feminina. É sobre mulheres destruídas juntando seus pedaços.” Shortland acrescenta que ela — junto a Florence, Scarlett e Rachel Weisz, que também protagoniza o filme — “queria fazer algo íntimo dentro do gigantesco universo Marvel. Nós criamos relacionamentos femininos com corpo, com carne e sangue. Elas não tiveram que se fazer de boazinhas.

Florence entrou na indústria à beira de algo bem particular: uma época em que as mulheres podem dar as ordens (ao menos algumas). Seu primeiro papel foi em “The Falling“, uma meditação hipnótica em menor escala sobre histeria, ambientada em uma escola só para garotas e dirigida por Carol Morley. Seus dois últimos projetos — “Adoráveis Mulheres” e “Viúva Negra” — também foram dirigidos por mulheres. Ela tem estado em uma posição de poder tomar essa força feminina como certa e seguir em frente sem se intimidar.

Se o arquétipo da mocinha implica algo como uma mulher jovem e impressionável cuja ascensão depende em parte do favor de seus superiores (provavelmente do sexo masculino), Florence pode oferecer uma alternativa, um novo tipo de estrela em ascensão que está emergindo em uma época na qual diferentes dinâmicas de poder são possíveis. Olhando para sua carreira até agora, um otimista pode pensar que o antigo modelo possui uma influência menor. Florence se recorda de ler sobre Jennifer Lawrence estar recebendo um salário menor do que seus colegas de elenco do sexo masculino e pensar, “Oi? Isso não pode ser considerado normal.” Mas ela sabe que o que está acontecendo agora é o resultado de um debate bem mais longo. Como ela mesma coloca: “Na verdade, esses debates estão fundamentando os discursos das mulheres nos filmes agora. Quando uma mulher fala, ela terá algo a dizer.

Florence cresceu em uma família de anfitriões: Seu pai é dono de restaurantes em Oxford; seu avô trabalhou em mercados de frutas e administrava um pub. “Somos uma grande família que adora comer,” ela diz com uma risada gutural. Sua mãe era professora de dança, e Florence relaciona tudo isso — a boa comida e a companhia exuberante — à performance. “Tudo isso é grandioso, afetuoso e acolhedor,” ela explica. Até hoje, ela acha que cozinhar para alguém é “uma das maneiras mais simples, mas mais maravilhosas, de se ter um encontro.” Quando vagamos, após o almoço, até uma barraca de queijos no mercado, Florence faz perguntas tão perspicazes ao dono que, imediatamente, tem um emprego oferecido a ela.

Eu sempre tive uma personalidade muito forte,” Florence diz. “Por exemplo, quando eu era mais nova, eu sempre vestia a coisa mais vibrante. Eu amava pintar o meu rosto. E devido a eu ser tão boa nisso, não acho que meus pais consideravam isso insolente.” Quando adolescente, Florence costumava atuar como babá residente para uma multidão que vinha em visita aos domingos. Com uma pequena tropa a seus pés, ela fazia fantasias, servia chá em xícaras de brinquedo, e inventava um drama que, inevitavelmente, incluía um papel fundamental para si mesma. “Eu falava: ‘Não, esse é o meu papel. Eu interpreto a mulher sofrida que perdeu o marido.’

Mas antes disso, entre as idades de três e seis anos, ela morou na Espanha com seus pais e irmãos, Arabella e Sebastian, que são 10 e quatro anos mais velhos do que ela, respectivamente. (Uma irmã mais nova, Rafaela, nasceu quando Florence tinha sete anos.) A mudança de Oxford para a Espanha teve como objetivo ajudar os problemas de saúde de Florence: Ela sofria do que mais tarde foi diagnosticado como traqueomalácia — o que significa que sua traqueia entrava parcialmente em colapso após ela respirar — e, quando criança, passava bastante tempo em hospitais. Agora ela só tem, como diz, “uma tosse muito assustadora,” e qualquer pessoa que a tenha visto soluçando em “Midsommar“, reconhecerá a chocante pontuação gutural em sua performance de luto.

Isso também a deixou com uma voz incomumente madura para cantar. Quando Florence era adolescente, sua mãe começou a postar vídeos caseiros dela cantando no YouTube — sem perceber completamente, até que ela desenvolveu uma base de seguidores, que qualquer pessoa podia assisti-los. Você ainda pode encontrar “Flossie Rose” usando um pesado delineado preto, sentando descalça sobre a cama, cantando covers da banda Oasis e acompanhando a si mesma no violão. Desde então, ela cantou em alguns de seus filmes, e a música é algo que ela gostaria de explorar mais.

Cantar e atuar virou o negócio da família. Sebastian, que atende pelo nome profissional de Toby Sebastian, lançou um EP em 2019, e sua carreira de ator inclui interpretar Trystane Martell na quinta temporada de “Game of Thrones“. Arabella (agora Gibbins) é uma atriz, cantora e professora de canto. Rafaela, que tem 16 anos e ainda está na escola, também atua. Os irmãos, com quem Florence passa o máximo de tempo possível, desempenham a função muito importante de manter uns aos outros sãos. A título de exemplo, Florence me conta sobre ir assistir “Midsommar” com sua família. “Midsommar” é, em parte, um filme sobre perder sua família e tentar recriá-la em outro lugar — com consequências desastrosas.

Em uma das cenas de abertura, os pais e a irmã da personagem de Florence morrem por inalação de gás — não exatamente divertido para toda a família, mas sua irmã de 16 anos professou estar desapontada.

Não sei por que chamam isso de filme de terror,” Rafaela disse. “Nem é tão assustador.

Hum, tudo bem,” disse Florence. “Mais algum comentário?

Seis semanas após o nosso almoço em Londres, Florence e eu nos reunimos em Los Angeles. Ela pede para nos encontrarmos no que sente ser “o único lugar estranho e com curvas” na cidade. Laurel Canyon era — como uma placa próxima lembra aos visitantes — aonde “o espírito comunitário e psicodélico da década de 1960… se unia.” Perto da antiga casa de Jim Morrison, na ampla varanda de madeira de 100 anos de idade da Canyon Country Store, Florence senta-se ao sol vestindo calças de pernas largas de cetim preto, calçados espadrille e uma camisa regata preta, seus cabelos amarrados com um lenço de seda antigo. Ela fez sete amigos em questão de minutos.

Florence nem sempre teve bons momentos na cidade. Ela veio para L.A. pela primeira vez em 2015 pelo papel principal em um piloto chamado “Studio City“. Aparentemente, era um sonho. Ela nunca tinha vindo aos Estados Unidos; tinha 19 anos de idade. Mas ela teve “uma experiência horrível,” ela lembra, com seu peso como um tópico aberto de conversa. “Eu tive meio que um colapso,” ela diz agora. “Quando [o projeto] não aconteceu, foi que eu percebi o quão aliviada eu estava.

Imediatamente, ela foi escalada em “Lady Macbeth“, um drama indie sombrio do século XIX (baseado no romance de 1865 de Nikolai Leskov, “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk” — o livro, por sua vez, inspirado por Shakespeare) no qual ela interpreta a esposa entediada e semi-encarcerada do filho de um proprietário de minas. A personagem de Florence se irrita e então resiste mais violentamente às restrições impostas a ela. Esse papel incomum e poderoso, Florence diz, deu a ela uma ideia do tipo de atriz que queria ser. “Eu gosto de me sentir crua. Gosto de me sentir nua. Todas as vezes em que surge uma oportunidade de eu ser perfeita nas telas, entro em pânico.

Foi vê-la em “Lady Macbeth” que fez com que Cate Shortland, Greta Gerwig e Ari Aster quisessem todos escalá-la em seus respectivos filmes. Ari esperou por meses até que ela terminasse de gravar “The Little Drummer Girl” e pudesse enviar uma fita para ele. Dani, a personagem central bastante complexa e intensa de “Midsommar“, não foi apenas um papel difícil porque ela tinha que “conduzir o filme integralmente,” Ari observa. Dani também era “um papel perigoso de se assumir. Ela poderia ter se tornado desgastante ou autopiedosa. Foi incrível vê-la evitando todas as armadilhas, sem abandonar tudo o que a personagem exigia.

A experiência de filmar “Lady Macbeth” também fez com que Florence prometesse a si mesma que não retornaria a Los Angeles “até que soubesse quem era.” Dois aos depois ela estava de volta, interpretando uma lutadora musculosa com o cabelo tingido de preto, maquiagem gótica e um sotaque de Norwich em “Lutando Pela Família“, um filme baseado na história real de um clã de luta livre originário do Reino Unido. Da perspectiva de Florence, a aparência de seu corpo naquele filme era irrelevante: a questão era apenas ser forte. “E isso,” ela diz agora, “é uma coisa extremamente maravilhosa de se notar em si mesmo e com o trabalho que você está escolhendo fazer.

Agora, sentada entre os velhos hippies de Hollywood Hills, ela parece perfeitamente em casa. “Este é um cantinho bem especial,” diz ela, sorrindo. Ela está ficando na casa de amigos e está lá há algumas semanas promovendo “Adoráveis Mulheres“. Florence ficou impressionada com “a onda de amor” por “Mulherzinhas” — “porque é o livro da infância das pessoas, especialmente nos Estados Unidos.” Apenas uma semana antes, Meryl Streep — que interpreta a Tia March — realizou uma exibição privada em uma casa na Mount Olympus Drive. (“Quero dizer, os nomes,” diz Florence.) Mais do que tudo, as pessoas parecem apreciar o fato de que Florence fez Amy (como ela mesma coloca) “não ser uma idiota chorona.

A Amy de Florence é deliciosamente convicta sobre seus desejos, e na versão de Greta seu interesse próprio se torna meio que uma sensatez. (Um dos primeiros críticos observou que a performance vigorosa de Florence deu “a essa personagem uma chance de ganhar a nossa simpatia.“) A própria Florence nunca detestou Amy quando leu o livro. “Eu amo todos os personagens incrivelmente mimados,” ela me conta, “porque eles sempre representam essa voz em nossas cabeças. Amy basicamente diz tudo o que quer dizer. Ela não se importa.” Florence sorri. “Então eu estava obviamente em êxtase por interpretá-la.

O filme de Greta introduz material original no roteiro, em especial um discurso proferido por Amy em seu estúdio de pintura parisiense — uma adição de última hora que a diretora entregou a Florence 10 minutos antes de eles começarem a filmar. Diante da câmera, a garota que aspirava a ser “um ornamento para a sociedade” explica sua estratégia feminista que a princípio aparenta ser não-feminista. “Eu sou apenas uma mulher,” ela começa, “e, como uma mulher, não tenho como ganhar meu próprio dinheiro.” Suas ambições não são vãs ou venais, em outras palavras; a época em que ela vivia as tornou necessárias. “Não sente aí,” ela conclui, “e me diga que o casamento não é uma proposta econômica.

Greta me conta que tem pensado muito em Amy recentemente. Amy, ela argumenta, “quer o que quer e vai descobrir como conseguir isso. Essa é a irmã de quem não gostamos. Salvo que, por agora, parece haver meio que uma mudança: talvez não odiemos mais essa garota. Talvez vejamos que ela estava planejando alguma coisa. Estamos mais à vontade com garotas ambiciosas, talvez. O que” — Greta conclui — “me deixa um pouco esperançosa.

Fonte: Vogue.
Tradução e adaptação: Florence Pugh Brasil.
 

 







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